A investida mais recente contra Nikolas Ferreira mostra, de forma escancarada, a engrenagem política que hoje opera sob o comando absoluto de Moraes — sem lei, sem limites e sem qualquer compromisso com coerência. A ordem para que Nikolas “explique” o conteúdo de seu próprio celular é mais um capítulo do sistema onde o alvo é escolhido antes, e a acusação é inventada depois.
Mas o caso ganhou contornos ainda mais grotescos com dois movimentos paralelos:
a Rede Globo, novamente, atuando como braço midiático acusatório, divulgando trechos seletivos e interpretações enviesadas destinadas a sustentar a narrativa desejada;
e a deputada Erika Hilton apresentando uma notícia-crime delirante, afirmando que Nikolas teria “colaborado para a fuga de Bolsonaro”, como se o país estivesse diante de um roteiro mal escrito.
O roteiro já é conhecido:
Moraes toma uma decisão sem fundamentação clara;
a Globo corre para construir o enredo que justifique a decisão;
parlamentares alinhados ao governo tentam transformar versões fantásticas em “crime”.
A determinação para que Nikolas “explique seu próprio celular”, mesmo sem acusação formal específica, é um exemplo perfeito desse processo. É a inversão total da lógica jurídica: o investigado deve provar que não cometeu o crime que ninguém definiu.
A emissora, como já fez inúmeras vezes, assume a função de promotoria eletrônica:
divulga vazamentos seletivos;
constroi manchetes sugerindo culpa antes de existir crime;
especializa-se em produzir climas de suspeição para justificar medidas autoritárias.
A Globo não noticia: antecipa, insinua e pavimenta o caminho para decisões que já vêm prontas.
No caso Nikolas, a emissora tratou deduções especulativas como se fossem elementos probatórios, empurrando a opinião pública para um julgamento pré-pronto.
A notícia-crime apresentada por Erika Hilton — de que Nikolas teria “colaborado para a fuga de Bolsonaro” — beira o inacreditável. Não há fato, não há ato, não há materialidade.
Há apenas narrativa.
Trata-se de uma tentativa explícita de:
criminalizar relações políticas;
transformar conversa em conspiração;
e alimentar o ambiente de perseguição institucional que se instalou no país.
Moraes não é tratado como ministro — e não se comporta como tal.
Age como instância única, soberana e inquestionável.
não espera processo;
ignora contradições;
dispensa provas;
cria obrigações inexistentes;
estende punições à sua vontade;
e converte decisões monocráticas em doutrina de fato.
É um poder sem parede, sem teto e sem freio.
A mira não é contra o deputado em si, mas contra tudo que ele representa:
oposição política real;
discurso não alinhado;
capacidade de mobilização popular;
influência que incomoda setores que preferem o país controlado de cima.
O caso do celular é só mais um instrumento para tentar desgastar, constranger e intimidar.