A HIPÓCRITA VIRADA DE CASACA DA IMPRENSA DO CONSÓRCIO

Por Fábio Roberto de Souza

    28/11/2025 20h28 - Atualizado há 1 semana

    Durante o programa Alive, nesta sexta-feira (28), o apresentador Claudio Dantas escancarou algo que boa parte do Brasil lúcido já havia percebido há anos: a hipocrisia quase criminosa dos grandes veículos — Globo, Folha de S.Paulo, UOL, Estadão — que, após passarem anos mentindo deliberadamente para o país, ignorando fatos, distorcendo narrativas e aplaudindo cada abuso cometido pelo STF contra a direita, agora fingem defender “limites” para a Corte depois da condenação de Jair Bolsonaro.

    A súbita conversão desses veículos à “moderação institucional” não passa de teatro barato, bancado com dinheiro público, através de assinaturas estatais, publicidade governamental e o velho sistema de dependência que sustenta o regime do consórcio PT–STF.

    Antes valia tudo. Agora, de repente, não vale mais?

    Dantas lembrou que, logo após a confirmação da condenação de Bolsonaro, jornais como O Estadão, Folha, O Globo — e seus colunistas financiados — lançaram editoriais e artigos sugerindo que o STF precisa “recuar” em certos excessos.

    Excessos que, até ontem, todos eles aplaudiam de pé.

    Quando a máquina judicial atropelava Bolsonaro e seus aliados, tudo era “defesa da democracia”. Agora que o monstro criado por eles ameaça as próprias estruturas que o consórcio acredita controlar, passaram a pedir “cautela”.

    É o cinismo elevado à categoria de método.

    Dantas dispara: “Vocês são escória. Cúmplices dessa ditadura.”

    O apresentador foi direto:

    “Vocês sabiam que era um movimento de exceção, era inconstitucional, e estavam tolerando isso para tirar o Bolsonaro. Agora tá tudo bem? Vocês são escória. Cúmplices dessa ditadura que estamos vivendo.”

    E, de fato, sabiam.

    Sabiam porque têm décadas de redação, análises, contatos dentro dos tribunais e acesso privilegiado a bastidores. Sabiam porque ajudaram a pavimentar o caminho para o arbítrio, enquanto fingiam defender “institucionalidade”.

    Os nomes citados: Malu Gaspar e Pablo Ortellado

    Dantas também citou nominalmente a colunista Malu Gaspar e o pesquisador Pablo Ortellado, exemplos clássicos da elite jornalística paulista que posa de técnica, mas atua politicamente com frieza calculada.

    “Imagina que uma colunista como a Malu Gaspar, que tem 30 anos de jornalismo, não sabe o que está escrevendo. Ela sabe. Imagina que Pablo Ortellado não sabe o que está escrevendo. Ele sabe. (…) O nome disso é cinismo.”

    Cinismo — e cumplicidade.

    “Só um pouquinho” de violação constitucional?

    O apresentador lembrou ainda uma fala da ministra Cármen Lúcia, citada pela própria imprensa como argumento “ponderado”.

    Dantas desmontou a falácia:

    “Ou você tem Constituição em vigor, ou não tem. Não dá pra suspender a lei ‘só um pouquinho’ para perseguir inimigos e depois voltar ao normal.”

    Mas a imprensa do consórcio brincou com isso durante anos — e agora, diante do próprio espelho, finge espanto.

    Consequência inevitável: o abismo institucional

    Segundo Dantas, esse conluio entre imprensa, STF e governo empurrou o Brasil para o abismo:

    “Temos um governo revanchista, em conluio com o STF. Denunciamos isso desde que resolveram descondenar o Lula e tutelar a eleição. Não acredito que teremos eleição livre em 2026.”

    A crítica não é nova — o que muda agora é que até quem ajudou a criar o problema começa a sentir o cheiro de queimado.

    E tenta, desesperadamente, salvar sua própria imagem.

    A constatação

    O que vemos hoje é:

    • A imprensa que ajudou a legitimar abusos agora finge ser guardiã da democracia.

    • Os mesmos jornais que ignoraram alertas de juristas, investigadores, jornalistas independentes e cidadãos comuns agora fazem pose de prudência.

    • E tudo isso depois de anos atuando como braço midiático do consórcio PT–STF.

    A guinada não é moral, não é técnica e não é democrática.

    É puro desespero corporativo.

    E tarde demais: o Brasil percebeu.

     

    *Fábio Roberto de Souza é jornalista (registro MTb 6867/SC), ex-diretor-geral de PROCON, especialista em Direito do Consumidor, com mais de duas décadas de atuação na área.


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