Durante o programa Alive, nesta sexta-feira (28), o apresentador Claudio Dantas escancarou algo que boa parte do Brasil lúcido já havia percebido há anos: a hipocrisia quase criminosa dos grandes veículos — Globo, Folha de S.Paulo, UOL, Estadão — que, após passarem anos mentindo deliberadamente para o país, ignorando fatos, distorcendo narrativas e aplaudindo cada abuso cometido pelo STF contra a direita, agora fingem defender “limites” para a Corte depois da condenação de Jair Bolsonaro.
A súbita conversão desses veículos à “moderação institucional” não passa de teatro barato, bancado com dinheiro público, através de assinaturas estatais, publicidade governamental e o velho sistema de dependência que sustenta o regime do consórcio PT–STF.
Dantas lembrou que, logo após a confirmação da condenação de Bolsonaro, jornais como O Estadão, Folha, O Globo — e seus colunistas financiados — lançaram editoriais e artigos sugerindo que o STF precisa “recuar” em certos excessos.
Excessos que, até ontem, todos eles aplaudiam de pé.
Quando a máquina judicial atropelava Bolsonaro e seus aliados, tudo era “defesa da democracia”. Agora que o monstro criado por eles ameaça as próprias estruturas que o consórcio acredita controlar, passaram a pedir “cautela”.
É o cinismo elevado à categoria de método.
O apresentador foi direto:
“Vocês sabiam que era um movimento de exceção, era inconstitucional, e estavam tolerando isso para tirar o Bolsonaro. Agora tá tudo bem? Vocês são escória. Cúmplices dessa ditadura que estamos vivendo.”
E, de fato, sabiam.
Sabiam porque têm décadas de redação, análises, contatos dentro dos tribunais e acesso privilegiado a bastidores. Sabiam porque ajudaram a pavimentar o caminho para o arbítrio, enquanto fingiam defender “institucionalidade”.
Dantas também citou nominalmente a colunista Malu Gaspar e o pesquisador Pablo Ortellado, exemplos clássicos da elite jornalística paulista que posa de técnica, mas atua politicamente com frieza calculada.
“Imagina que uma colunista como a Malu Gaspar, que tem 30 anos de jornalismo, não sabe o que está escrevendo. Ela sabe. Imagina que Pablo Ortellado não sabe o que está escrevendo. Ele sabe. (…) O nome disso é cinismo.”
Cinismo — e cumplicidade.
O apresentador lembrou ainda uma fala da ministra Cármen Lúcia, citada pela própria imprensa como argumento “ponderado”.
Dantas desmontou a falácia:
“Ou você tem Constituição em vigor, ou não tem. Não dá pra suspender a lei ‘só um pouquinho’ para perseguir inimigos e depois voltar ao normal.”
Mas a imprensa do consórcio brincou com isso durante anos — e agora, diante do próprio espelho, finge espanto.
Segundo Dantas, esse conluio entre imprensa, STF e governo empurrou o Brasil para o abismo:
“Temos um governo revanchista, em conluio com o STF. Denunciamos isso desde que resolveram descondenar o Lula e tutelar a eleição. Não acredito que teremos eleição livre em 2026.”
A crítica não é nova — o que muda agora é que até quem ajudou a criar o problema começa a sentir o cheiro de queimado.
E tenta, desesperadamente, salvar sua própria imagem.
O que vemos hoje é:
A imprensa que ajudou a legitimar abusos agora finge ser guardiã da democracia.
Os mesmos jornais que ignoraram alertas de juristas, investigadores, jornalistas independentes e cidadãos comuns agora fazem pose de prudência.
E tudo isso depois de anos atuando como braço midiático do consórcio PT–STF.
A guinada não é moral, não é técnica e não é democrática.
É puro desespero corporativo.
E tarde demais: o Brasil percebeu.
*Fábio Roberto de Souza é jornalista (registro MTb 6867/SC), ex-diretor-geral de PROCON, especialista em Direito do Consumidor, com mais de duas décadas de atuação na área.