A novela da indicação de Jorge Messias ao STF é mais uma demonstração da degradação institucional brasileira. Uma mistura de cinismo político, conchavos de bastidor e a covardia vergonhosa de um Senado que já não representa mais nada além de seus próprios interesses. O indicado é o serviçal-mor do petismo, escolhido a dedo por Lula — o mesmo Lula que jurou ao país, décadas atrás, que jamais indicaria “amigos” ou “aliados” ao Supremo Tribunal Federal. O mesmo Lula que fez disso mais uma de suas incontáveis mentiras públicas.
Agora, diante dessa farsa, o Brasil assiste a mais uma encenação grotesca: a sabatina marcada, desmarcada, remarcada, esticada, arrastada — tudo para acomodar o estômago sensível de senadores covardes, pulhas, calhordas, que já se preparam para bater continência ao Planalto e carimbar o ingresso de Messias para a Suprema Corte.
Lula — o “maior mentiroso do Brasil”, como você mesmo definiu — não só descumpriu sua promessa histórica de não aparelhar o STF, como agora indica exatamente aquilo que jurou combater: um aliado direto, íntimo, orgânico. Não apenas um amigo. Mas um operador do sistema petista.
Messias não chega ao STF pelas suas qualidades. Chega pelo seu servilismo. Pelos serviços prestados. Pela fidelidade que o governo quer transformar em blindagem institucional.
A sabatina é apenas teatro. Um teatro mal escrito, mal dirigido e pessimamente interpretado. Os senadores — com raríssimas exceções — já estão preparando suas justificativas patéticas para votar a favor. A maioria se comporta como cordeiros domesticados, ajoelhados, bajuladores, ansiosos para mostrar obediência e garantir seus próprios favores futuros.
São covardes.
São pulhas.
São calhordas.
Eles sabem exatamente o que estão fazendo: entregar o STF a mais um soldado político, enquanto fingem que estão “cumprindo o rito constitucional”.
A disputa interna — Alcolumbre irritado por não ter conseguido empurrar seu próprio predileto, Pacheco — não é sobre princípios, não é sobre República, não é sobre mérito. É sobre poder. Sobre interesse. Sobre quem manda mais.
Essa “retaliação”, esse jogo de empurra envolvendo datas, mensagens oficiais e publicações no Diário Oficial, é prova definitiva de que Brasília virou um teatro de bonecos, onde ninguém se importa com o país, apenas com seus próprios arranjos de ocasião.
O governo segura a mensagem oficial.
Alcolumbre ameaça votar sem ela.
O Planalto acena com “conversa franca”.
E, no final, todos sabem que fecharão acordo — sempre fecham. E é o Brasil que paga a conta da próxima década.
Enquanto a Casa Civil atrasa a mensagem, Lula articula pessoalmente para entregar em mãos o documento que empurra seu leal escudeiro para a corte mais poderosa do país. É simbólico. É humilhante. É revelador.
O Executivo não esconde mais: quer controlar o STF politicamente. E o Senado, com seu punhado de medrosos e oportunistas, aceita. Sem resistir. Sem questionar. Sem vergonha.
A aprovação de Messias não será vitória institucional.
Não será avanço democrático.
Não será um ato de responsabilidade.
Será a confirmação de que o Supremo virou moeda política, e de que o Senado brasileiro perdeu qualquer resquício de decência.
E quando esses senadores covardes confirmarem Messias — porque tudo indica que confirmarão — cada um deles terá carimbado seu nome na história como cúmplice consciente do aparelhamento político do STF.
O Brasil testemunha, mais uma vez, a construção lenta e calculada de um sistema em que poderes deixam de ser independentes para se tornarem instrumentos de um projeto político específico — e executado por quem sempre jurou que nunca faria exatamente isso.
*Fábio Roberto de Souza é jornalista (registro MTb 6867/SC), ex-diretor-geral de PROCON, especialista em Direito do Consumidor, com mais de duas décadas de atuação na área.