Relator do PL Antifacção critica STF e alerta para infiltração do crime

    11/12/2025 10h33 - Atualizado há 3 meses

    Relator da CPI do Crime Organizado e do PL Antifacção, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) voltou a dirigir duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) em entrevista à coluna. O parlamentar, que na sessão da CPI desta terça-feira (9/12) afirmou que “se avizinha o momento em que teremos um ministro do STF preso”, alertou para o avanço da infiltração do crime organizado nas instituições brasileiras.

    Durante a conversa, Vieira reforçou que é preciso investigar a realidade patrimonial de autoridades que vivem muito além do padrão esperado para servidores públicos.

    “Ninguém pode estar acima da lei. Ninguém pode estar imune a investigações. Investigação não é condenação. Mas eu preciso entender como um servidor público, um juiz, um magistrado apresenta padrão de vida de milionário. O que aconteceu na vida dele para justificar isso?”, afirmou.

    Críticas a viagens de ministros em jatinhos privados

    Na entrevista, o relator do PL Antifacção criticou diretamente a prática — segundo ele, já comum — de ministros do Supremo viajarem em jatinhos de empresários e lobistas.

    “Quando fiz a minha fala, não me referia especificamente ao ministro Dias Toffoli, até porque outros ministros viajam cotidianamente em jatinhos emprestados. O ministro Kassio Nunes Marques, por exemplo, em mais de uma oportunidade viajou para a Europa em aviões de dono de ‘bet’. Ninguém em sã consciência pode achar isso normal. Se fosse um juiz de primeira instância, o CNJ certamente puniria. Mas o Supremo vive fora de qualquer eixo de responsabilização.”

    Falta de controle interno no STF

    Vieira também destacou que a situação se agrava pela ausência de mecanismos de controle sobre a atuação dos ministros do Supremo — algo que, segundo ele, distancia cada vez mais a Corte do interesse público.

    “O STF não tem corregedoria, não tem código de ética, não tem ouvidoria. E não está submetido ao CNJ. Ele interpreta como quer a legislação e a Constituição. E essa interpretação se afasta da letra da lei, se afasta do interesse da sociedade e se aproxima do interesse de grupos de mobilização.”

    Atuação de escritórios ligados a familiares de ministros

    O senador também condenou a atuação de escritórios de advocacia ligados a parentes de ministros do STF em processos decididos pela própria Corte.

    “Precisamos discutir com seriedade esse acesso e essa proximidade, essa ligação familiar umbilical com escritórios de advocacia. Isso não é natural. Não se pode tratar como natural, se verdadeira a notícia, um contrato de quase R$ 130 milhões em três anos com a esposa do ministro Alexandre de Moraes — firmado por uma instituição denunciada repetidas vezes por fraude desde o período eleitoral.”


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