A vitória de José Antonio Kast nas eleições presidenciais do Chile, neste domingo (14/12), representa muito mais do que uma simples alternância de poder. Trata-se de uma ruptura clara com o projeto autoritário da esquerda latino-americana, que nos últimos anos vem empurrando países inteiros para o abismo da miséria, da repressão e do controle estatal — um modelo já bem conhecido na Venezuela, em Cuba e na Nicarágua.
Ao eleger Kast, o povo chileno rejeitou o caminho da ditadura travestida de democracia, optando por resgatar valores como segurança, liberdade econômica e soberania institucional. É um sinal inequívoco de que o Chile acordou a tempo. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito do Brasil, que segue anestesiado, avançando a passos largos rumo ao modelo venezuelano, copiando práticas de regimes que perseguem, silenciam e, em muitos casos, assassinam o próprio povo.
Kast venceu o segundo turno contra a candidata de esquerda Jeannette Jara, em uma das eleições mais polarizadas desde o fim da ditadura militar chilena. O resultado confirmou as projeções das pesquisas e consolidou uma guinada firme à direita na condução política do país.
De acordo com o Serviço Eleitoral do Chile (Servel), o presidente eleito obteve mais de 58,2% dos votos válidos.
Ele assumirá a Presidência em março de 2026 e enfrentará o desafio de governar com um Congresso fragmentado, embora agora mais inclinado à direita. Esse cenário exigirá articulação com forças de centro, reduzindo o espaço para mudanças abruptas, mas sem comprometer o eixo central de sua agenda.
A eleição de Kast marca a mais expressiva inflexão à direita desde a redemocratização. Durante a campanha, ele defendeu medidas duras no combate à criminalidade e à imigração ilegal, incluindo o uso das Forças Armadas em áreas dominadas pelo crime, o fortalecimento das fronteiras e a criação de uma força especial para deportação de estrangeiros em situação irregular.
Como era previsível, a esquerda tentou transformar a disputa em um plebiscito moral, explorando a relação histórica de Kast com o período do general Augusto Pinochet (1973–1990). No debate final, o então candidato afirmou que avaliaria a revisão de penas para militares idosos ou gravemente doentes condenados por violações de direitos humanos — declaração que gerou críticas e reacendeu o debate sobre o passado autoritário do país.
Aos 59 anos, Kast já havia admitido ter defendido a permanência de Pinochet no plebiscito de 1988. Com a vitória, torna-se o presidente mais claramente identificado com a direita desde o fim da ditadura, algo que a esquerda chilena tenta demonizar, mas que foi legitimado pelo voto popular.
No primeiro turno, Kast e Jara terminaram praticamente empatados. A virada ocorreu após o apoio explícito de lideranças influentes da direita, como Johannes Kaiser e Evelyn Matthei. Já Franco Parisi, terceiro colocado, optou por liberar seus eleitores, orientando voto em branco, o que manteve incertezas até os últimos dias.
Na reta final da campanha, Kast prometeu expulsar estrangeiros sem documentação em até 90 dias. Jara, por sua vez, acusou o adversário de “explorar o medo” e defendeu a chamada “segurança com humanidade” — discurso já conhecido e amplamente fracassado em outros países da região.
O resultado final deixou claro que o eleitor chileno rejeitou a retórica vazia e o modelo permissivo da esquerda, optando por um projeto de ordem, responsabilidade e liberdade.
Enquanto o Chile escolhe sair do abismo, o Brasil insiste em caminhar na direção errada, flertando com práticas autoritárias, relativizando liberdades e normalizando a aproximação com regimes que destruíram suas próprias nações. A história mostra que ainda há tempo de acordar — a pergunta é se o Brasil terá coragem de fazê-lo.