A greve dos Correios, deflagrada em plena reta final do ano, não é um acidente de percurso. É o retrato fiel do colapso administrativo produzido pelo regime petista, que transformou uma estatal estratégica em instrumento político, loteado, aparelhado e incapaz de cumprir sua função básica: servir à população brasileira.
Sob o comando do governo Lula, os Correios acumulam prejuízos bilionários, perda de eficiência, desorganização operacional e um clima interno de permanente conflito. O discurso oficial tenta jogar a culpa na “herança” ou no “mercado”, mas a realidade é mais simples e mais dura: o regime petista governa para suas bases políticas, não para o país.
Durante anos, os Correios foram tratados como trincheira ideológica do PT. Não é segredo que uma parcela expressiva de seus quadros sindicais e funcionais atuou politicamente em favor de Lula, participou de campanhas, integrou movimentos partidários e, em diversos casos, lançou candidaturas ou exerceu militância ativa.
Nada disso é ilegal. O problema começa quando a militância substitui a gestão, quando a lógica partidária se sobrepõe ao interesse público e quando o governo passa a tratar a estatal como extensão do projeto político do partido.
O resultado está aí: uma empresa quebrada, trabalhadores frustrados, usuários penalizados e um serviço cada vez mais distante da eficiência mínima esperada.
A greve não é a causa do problema — é o sintoma final de um modelo falido. O regime petista prometeu valorização dos trabalhadores, mas entregou inflação, desorganização e rombos sucessivos. Prometeu reconstrução do Estado, mas devolveu ao país o velho manual do aparelhamento, da submissão ideológica e da irresponsabilidade fiscal.
Agora, tenta se eximir das consequências, enquanto a população paga a conta com atrasos, prejuízos e insegurança.
O mais grave é o silêncio do Palácio do Planalto. Lula, que sempre se apresentou como “pai dos trabalhadores”, assiste passivamente ao caos nos Correios, incapaz — ou desinteressado — de enfrentar o problema estrutural que seu próprio regime ajudou a criar.
Não há plano claro, não há reforma séria, não há compromisso com eficiência. Há apenas a tentativa de empurrar o problema para frente, preservando alianças políticas e bases sindicais, mesmo que isso custe o colapso de um serviço essencial.
Os Correios não pertencem ao PT, nem ao governo de turno. Pertencem ao Brasil. Enquanto o regime petista insistir em governar com foco ideológico, em vez de técnico e institucional, crises como essa deixarão de ser exceção e passarão a ser regra.
A greve é um alerta. Mas, como sempre, o regime petista prefere ignorar o aviso — até que o sistema entre em colapso definitivo.