O discurso de Gleisi Hoffmann e do regime petista contra o PL da Dosimetria é mais uma prova da hipocrisia estrutural e da perversidade política que definem a esquerda no poder. Trata-se de um grupo que se diz “democrático” e “humanista”, mas que perdeu qualquer traço de humanidade quando o alvo não serve ao seu projeto de dominação.
Gleisi anuncia, sem pudor algum, que lula vetará o projeto sob o pretexto de que ele “desrespeita decisões do STF” e representa um “retrocesso”. É o mesmo STF que foi convenientemente ignorado quando beneficiou a própria esquerda: anulou condenações, enterrou a Lava Jato, apagou crimes bilionários e devolveu direitos políticos a condenados — abrindo caminho para a volta de um projeto rejeitado pelo país.
Essa é a mesma esquerda que viveu e ainda vive mamando nos cofres públicos graças à anistia: salários vitalícios, indenizações eternas, pensões herdadas, cargos, privilégios e sinecuras. Uma elite política que transformou a “resistência” em carreira, patrimônio e poder, tudo pago com o dinheiro do povo trabalhador.
Mas quando se trata de mulheres, idosos, pais e mães de família, trabalhadores comuns e até doentes graves — inclusive pessoas com câncer em estágio terminal —, o regime petista abandona qualquer discurso humanitário. Para esses, não há compaixão, não há razoabilidade, não há clemência. Há apenas penas desproporcionais, prisões abusivas, humilhação pública e vingança institucional.
O PL da Dosimetria não concede anistia. Não apaga crimes. Não inocenta ninguém. Apenas corrige distorções grotescas, reduz penas absurdas e tenta devolver um mínimo de racionalidade ao sistema penal — algo básico em qualquer democracia real. Ainda assim, o regime petista reage com fúria, porque sua sobrevivência política depende do medo, da exceção e da repressão seletiva.
A farsa se completa quando parlamentares de esquerda, derrotados no Congresso, correm imediatamente ao colo de Alexandre de Moraes, implorando por mais uma canetada para anular a vontade do Legislativo. É a confissão explícita de que não acreditam em democracia alguma — acreditam apenas no poder concentrado, no tribunal alinhado e na perseguição de adversários.
E tudo isso tem um objetivo claro e inconfessável: manter Jair Bolsonaro fora do jogo político a qualquer custo, destruí-lo moralmente, condená-lo a penas irreais e, se possível, eliminá-lo na cadeia. Não se trata de justiça. Trata-se de medo, ódio e revanche.
O Brasil assiste, estarrecido, a um regime que perdoa seus aliados, protege seus cúmplices, absolve seus corruptos históricos e nega humanidade a cidadãos comuns. Um regime que fala em democracia enquanto a esmaga todos os dias.
A história não costuma ser generosa com regimes que usam o Estado para esmagar opositores. E essa conta — política, moral e social — inevitavelmente chega.