Farra do INSS: “Quando começar a puxar o fio, vai sair político para caramba”

    19/12/2025 16h42 - Atualizado há 2 meses

    O programa ALive desta quinta-feira (19) abordou a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que teve como um dos alvos a empresária Roberta Luchsinger. Amiga de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e de sua esposa, Roberta recebeu diversos pagamentos de Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado Careca do INSS, apontado como principal lobista do esquema bilionário que roubou aposentados e pensionistas.

    Durante o programa, a cientista política Carol Sponza afirmou que os políticos de alto escalão envolvidos na chamada Farra do INSS ainda não foram devidamente convocados para prestar esclarecimentos. “Quando você começa a puxar o fio de verdade, sai político para caramba. E está mais do que claro, escancarado, o vínculo disso tudo com o Lula”, afirmou.

    Segundo Sponza, a ausência dessas figuras centrais na CPMI do INSS não é casual, mas resultado de uma clara “operação abafa” conduzida por parlamentares alinhados ao governo, com aval direto do presidente. “É evidente que isso é uma tentativa de proteger não só o filho, mas a própria imagem do presidente num ano praticamente pré-eleitoral. Esse escândalo tem potencial para explodir no colo do Lula, e a maioria governista na CPMI simplesmente finge que nada está acontecendo”, disse.

    A cientista política também defendeu que Lulinha tem o dever de comparecer à CPMI para prestar esclarecimentos. “Um escândalo dessa magnitude, que chega ao filho do presidente da República, e todo mundo vai simplesmente ficar em silêncio assistindo?”, questionou.

    A comentarista política Anne Dias, que também participou do programa, foi ainda mais direta ao criticar o conforto com que Lulinha lida com as suspeitas. “Ele está muito confortável com essa mesada de trezentos mil reais para morar em Madrid. A gente vive um tempo em que os valores estão completamente invertidos: o escândalo de corrupção está escancarado, e o Lula vem a público dizer ‘investiguem meu filho’. É fácil falar isso para a imprensa”, afirmou.

    De acordo com o depoimento de um ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, Fábio Luís Lula da Silva teria recebido uma mesada de R$ 300 mil mensais do lobista do INSS.

    Anne Dias acrescentou que, na prática, o governo atua para enfraquecer não apenas a investigação, mas a própria CPMI. “O discurso é um, mas as ações mostram outra coisa. Há muito tempo o governo tenta esvaziar a apuração, travar a CPMI e proteger os envolvidos”, disse a advogada.

    Ela também criticou a postura do governo ao longo do escândalo, lembrando a resistência do presidente em afastar Carlos Lupi, mesmo após vir à tona que ele tinha conhecimento do esquema desde 2023. “O escândalo explodiu em abril, a imprensa mostrou tudo, e o Lula ainda dizia que talvez não fosse o momento de demitir. Lupi só saiu por pressão popular. Quando a gente aprofunda, percebe que isso é método, é praxe”, afirmou.

    Ao final, Anne Dias alertou para o impacto político do caso. “Isso precisa servir de exemplo para que, no ano que vem, ninguém caia nessas narrativas fáceis de que votar no Lula é ‘ser do bem’ ou de que o PT defende causas nobres. O que o PT carrega nas costas é um longo histórico de corrupção, escândalos e ideias fracassadas”, concluiu.


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