A condução do caso envolvendo a cirurgia do ex-presidente Jair Bolsonaro escancara, mais uma vez, o padrão de frieza, autoritarismo e absoluta desumanidade que marca a atuação do ministro Alexandre de Moraes no comando dos processos políticos travestidos de jurídicos no Supremo Tribunal Federal.
Mesmo diante de laudos médicos oficiais que confirmam a necessidade de intervenção cirúrgica — hérnia inguinal bilateral — Moraes transforma um tema de saúde em instrumento de punição, humilhação e demonstração de poder. A Justiça agora “aguarda” que a defesa informe a data e a programação da cirurgia, como se a dignidade humana pudesse ser submetida a um cronograma burocrático de exceção.
Antes de qualquer decisão final, o ministro ainda remete o caso à Procuradoria-Geral da República, prolongando deliberadamente o sofrimento físico e psicológico do paciente, numa clara estratégia de desgaste. A saúde, aqui, não é tratada como direito — mas como favor condicionado à vontade do julgador.
Embora tenha autorizado formalmente a cirurgia após a Polícia Federal atestar a enfermidade, Moraes faz questão de registrar que o procedimento “não é emergencial”, minimizando o quadro clínico como se fosse médico, perito e juiz ao mesmo tempo. Um comportamento que expõe o desprezo absoluto pela condição humana do réu quando este é politicamente inconveniente.
A perversidade se torna ainda mais evidente quando o ministro nega o pedido de prisão domiciliar humanitária. Moraes ignora princípios constitucionais básicos, ignora precedentes e ignora, sobretudo, o valor da vida e da saúde. Para ele, pouco importa o estado físico do custodiado: importa apenas manter o símbolo político sob castigo exemplar.
Em sua decisão, Moraes ainda constrói uma narrativa punitiva baseada em supostos “descumprimentos” e “tentativas de fuga”, reforçando o discurso de culpa antes do trânsito em julgado, algo incompatível com qualquer sistema minimamente comprometido com o devido processo legal.
Não satisfeito, o ministro afirma que Bolsonaro teria “plenas condições” de receber atendimento médico dentro da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, como se uma cela pudesse substituir um ambiente hospitalar adequado, e como se a custódia fosse compatível com recuperação cirúrgica digna. É a institucionalização da crueldade sob o verniz da legalidade.
Para completar o quadro de insensibilidade, Moraes ainda negou um pedido banal da defesa: a simples alteração do horário das sessões de fisioterapia para depois das 18h. Um detalhe pequeno, mas revelador. Quando até a fisioterapia vira objeto de punição, fica claro que não se trata de Justiça — trata-se de vingança de Estado.
O caso não é mais jurídico. É moral, humanitário e histórico. Alexandre de Moraes consolida sua imagem não como guardião da Constituição, mas como símbolo de um sistema que perdeu qualquer traço de empatia, proporcionalidade e humanidade.