Violência fora de controle expõe o abismo entre a propaganda oficial e a realidade nas ruas de Brusque

    22/12/2025 03h23 - Atualizado há 2 meses

    A escalada da violência em Brusque atingiu um patamar alarmante e já não pode mais ser relativizada por discursos oficiais, estatísticas artificiais ou campanhas publicitárias institucionais que insistem em vender uma realidade que simplesmente não existe. O crescimento desordenado do número de pessoas em situação de rua, o consumo aberto de drogas e álcool, somado a recorrentes episódios de coação, intimidação e violência contra cidadãos, comerciantes e até membros de comunidades religiosas, transformou o cotidiano da cidade em um cenário de insegurança permanente.

    Muito se propaga, com claros fins de aprovação eleitoral, uma suposta eficiência na condução dessas questões. No entanto, os fatos concretos desmentem qualquer narrativa otimista. O que se vê nas ruas é o completo oposto do que é anunciado: ausência de ações estruturais, falta de políticas efetivas de enfrentamento e um poder público que prefere produzir números para propaganda a encarar a realidade.

    O domingo que antecedeu o Natal escancarou essa falência de gestão. Famílias inteiras, que ocupavam espaços públicos com seus filhos e entes queridos, foram obrigadas a presenciar um assassinato em plena praça central da cidade. Pouco tempo depois, na rua Azambuja, mais uma tentativa de homicídio reforçou a sensação de que Brusque vive um colapso silencioso na área da segurança pública.

    Na noite deste domingo, 21, a Polícia Militar divulgou informações oficiais sobre duas ocorrências graves registradas ao longo do dia. O primeiro caso resultou na morte de um homem após um ataque com faca na Praça Barão de Schneeburg, no Centro. O segundo envolveu uma tentativa de homicídio no bairro Azambuja, onde um homem foi baleado e permanece em estado grave.

    No caso ocorrido na praça, a guarnição foi acionada após relatos de uma briga entre dois homens. Segundo a Polícia Militar, um deles estava armado com uma faca. Vendedoras de uma loja próxima informaram que, durante o confronto, a vítima foi atingida por golpes no abdômen e correu para dentro do estabelecimento na tentativa de se proteger. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram o homem, de 33 anos, já sem vida.

    Testemunhas relataram que ambos os envolvidos estavam em situação de rua e haviam se desentendido ainda pela manhã. No período da tarde, enquanto a vítima estava novamente na praça, o autor se aproximou e desferiu cerca de quatro facadas antes de fugir. O suspeito foi reconhecido por testemunhas por meio de fotografias e apontado como frequentador habitual da praça. A faca utilizada no crime foi deixada no local e recolhida pela perícia.

    A segunda ocorrência foi registrada por volta das 14h50, na rua Azambuja. A Polícia Militar foi acionada para atender uma tentativa de homicídio por disparo de arma de fogo. Segundo testemunhas, o autor fugiu em uma bicicleta, sem camiseta e carregando uma mochila azul. Apesar das buscas, ele não foi localizado.

    No hospital, a guarnição identificou a vítima, um homem de 36 anos, que, conforme o médico plantonista, permanece internado em estado grave. Um vídeo analisado pela polícia mostra o momento em que o autor efetua o disparo e, em seguida, rouba a bicicleta de um terceiro para fugir. A Polícia Civil foi acionada, mas não estava no local no momento do atendimento. Até o encerramento do registro, não havia atualização oficial sobre o estado de saúde da vítima.

    Diante desse quadro, torna-se inevitável a constatação: é mais do que hora de interromper a produção de dados frágeis e discursos ilusórios destinados apenas à publicidade institucional. Brusque precisa de ações concretas, firmes e imediatas. Caso contrário, aquilo que hoje ainda choca passará a ser tratado como rotina — e uma cidade que, até pouco tempo, não convivia com esse nível de violência, corre o risco de normalizar o que jamais deveria ser aceitável.


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