Moraes autoriza ida de Bolsonaro ao hospital para cirurgia no Natal

    23/12/2025 15h14 - Atualizado há 2 meses

    Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, mais uma vez escancara a face autoritária de um Judiciário que deixou de aplicar a Constituição para administrar pessoas, humilhar adversários e exercer controle absoluto sobre vidas humanas.

    Ao “autorizar” a transferência de Jair Bolsonaro para cirurgia de hérnia inguinal — procedimento médico elementar, reconhecido por laudos técnicos da própria Polícia Federal — Moraes age como se estivesse concedendo um favor pessoal, e não simplesmente cumprindo o óbvio dever do Estado: garantir o direito à saúde, previsto na Constituição que ele próprio jura defender.

    A decisão não é humanitária. É burocrática, fria e carregada de simbolismo punitivo. Moraes faz questão de deixar claro que Bolsonaro continua sob seu jugo absoluto: impõe vigilância ostensiva, proíbe qualquer meio de comunicação, controla visitas, dita regras hospitalares e transforma um leito médico em extensão da cela. Não satisfeito em prender, precisa vigiar, constranger e demonstrar poder — até mesmo diante de um paciente em situação clínica delicada.

    O ministro age como carcereiro togado. Não confia em médicos, não confia em hospitais, não confia em ninguém — apenas em si mesmo. Centraliza decisões, ignora princípios de dignidade da pessoa humana e trata um ex-presidente da República como um troféu político, não como um cidadão submetido à lei.

    É impossível ignorar a seletividade. Para aliados do sistema, garantias, silêncio e complacência. Para Bolsonaro, vigilância 24 horas, dois policiais à porta do quarto, controle absoluto até sobre quem pode prestar apoio emocional. Tudo isso em um procedimento classificado como eletivo, mas reconhecido como necessário “o mais breve possível” para evitar agravamento do quadro clínico.

    Alexandre de Moraes já não atua como juiz. Atua como poder absoluto. Decide quando alguém pode falar, quando pode receber visitas, quando pode se tratar, e até como deve entrar em um hospital. Isso não é Justiça. Isso é abuso de autoridade institucionalizado, travestido de legalidade.

    A história registra: regimes autoritários não começam com tanques nas ruas, mas com juízes que se colocam acima da lei, da Constituição e da humanidade. E Moraes, a cada decisão como essa, faz questão de deixar claro de que lado escolheu estar.

     


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