A internação do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi transformada pelo Alexandre de Moraes em um espetáculo de paranoia institucional e abuso de poder. A decisão determina um esquema de segurança digno de um criminoso de altíssima periculosidade em fuga iminente — o que leva à pergunta inevitável: Moraes imagina seriamente que Bolsonaro, recém-operado, com a barriga aberta, sedado e em um leito hospitalar, tentaria escapar?
O deslocamento até o Hospital DF Star, em Brasília, será feito sob vigilância total da Polícia Federal, com trajeto “discreto”, desembarque por garagem e controle absoluto do Estado, como se a simples visão pública de um paciente prestes a ser operado representasse uma ameaça à ordem democrática.
Durante a internação, o ex-presidente permanecerá sob vigilância ininterrupta, com policiais federais plantados à porta do quarto 24 horas por dia, equipes de prontidão dentro e fora do hospital e possibilidade de reforço do efetivo. Um cerco que beira o grotesco, sobretudo diante do quadro clínico descrito e da natureza do procedimento cirúrgico.
O acesso ao quarto será rigidamente controlado, com proibição de celulares, computadores ou qualquer dispositivo eletrônico — como se um paciente recém-saído de uma cirurgia abdominal estivesse arquitetando conspirações ou coordenando uma fuga cinematográfica por aplicativo de mensagens.
A decisão permite a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como acompanhante, mas veta a entrada recorrente dos próprios filhos do paciente, Flávio e Carlos Bolsonaro, salvo autorização judicial específica. Um rigor seletivo que ignora por completo o aspecto humano, familiar e médico da internação, tratando um leito hospitalar como extensão de uma cela.
Nesta quarta-feira, Bolsonaro passará por exames e preparo pré-operatório. A cirurgia de hérnia inguinal bilateral está prevista para o dia de Natal, com duração estimada de três a quatro horas. Ainda assim, o aparato repressivo permanece intacto, como se o risco não fosse clínico, mas político.
Mesmo diante desse cenário, Alexandre de Moraes fez questão de registrar que a internação não altera o cumprimento da pena imposta, ressaltando que Bolsonaro mantém “plenas condições” de tratamento sob custódia e mencionando a proximidade do hospital com a Superintendência da Polícia Federal — como se fosse necessário tranquilizar o próprio ministro de que o preso não escapará pela janela do quarto cirúrgico.
O episódio expõe não apenas o exagero, mas o desprezo absoluto pelo bom senso, pela proporcionalidade e pela dignidade humana. O Estado que se mostra incapaz de conter o crime organizado, o tráfico e a violência urbana mobiliza energia máxima para vigiar um paciente hospitalizado. Não é segurança: é obsessão. Não é justiça: é demonstração de força.