O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) fez duríssimas críticas públicas nesta quinta-feira (25) ao absurdo esquema de segurança imposto durante a internação e a cirurgia do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília — um esquema que, segundo ele, não tem qualquer fundamento técnico, jurídico ou humano, sendo fruto exclusivo da obsessão persecutória do ministro Alexandre de Moraes.
Carlos afirmou que o que se viu no hospital não foi uma medida de segurança, mas sim um teatro de intimidação, um recado político explícito, determinado por Alexandre de Moraes, que mais uma vez atua fora de qualquer parâmetro aceitável de um juiz constitucional.
“O número de policiais mobilizados para acompanhar o procedimento e toda a movimentação ultrapassa qualquer limite que qualquer ser humano razoável poderia admitir”, escreveu.
Em seguida, classificou o episódio como “absolutamente inacreditável, constrangedor e revelador do grau de degeneração institucional ao qual o país foi empurrado” — degeneração esta que tem nome, sobrenome e cargo: Alexandre de Moraes, ministro do STF.
A presença ostensiva da Polícia Federal dentro de um hospital privado, com agentes posicionados na porta do quarto e em áreas internas, não atende a nenhuma ameaça real, não se baseia em risco concreto algum e não protege absolutamente ninguém. Serve apenas a um propósito: satisfazer a sanha autoritária de Alexandre de Moraes.
Trata-se de um ex-presidente recém-operado, submetido a anestesia geral, com a mobilidade severamente limitada, sob cuidados médicos intensivos. Ainda assim, Alexandre de Moraes determinou vigilância permanente, como se Bolsonaro pudesse, em delírio kafkiano, levantar da maca e fugir algemado de um centro cirúrgico.
O vereador foi categórico ao afirmar que Alexandre de Moraes transformou um ato médico em punição antecipada, um cerco psicológico não apenas ao paciente, mas à sua família, em pleno dia de Natal.
“O ambiente ao redor é nitidamente intimidatório, proposital e desumano”, denunciou.
Jair Bolsonaro foi submetido, na manhã do dia 25, a uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral. O procedimento durou cerca de quatro horas e, segundo a equipe médica, transcorreu sem intercorrências, sendo considerado um sucesso. Nada disso foi suficiente para conter Alexandre de Moraes.
Mesmo diante de um quadro clínico delicado, o ministro endureceu restrições absurdas, chegando ao ponto de — conforme denunciou Carlos Bolsonaro — proibir acompanhantes até mesmo de usar relógio no pulso.
“De ontem para hoje, chegaram a esse nível de absurdo”, escreveu.
Carlos Bolsonaro também lembrou que esta é a oitava cirurgia enfrentada por Jair Bolsonaro desde o atentado de 2018, e ainda assim Alexandre de Moraes insiste em tratá-lo como um criminoso perigoso, ignorando completamente princípios básicos de dignidade humana, proporcionalidade e razoabilidade.
Segundo boletim médico divulgado nesta quinta-feira, Bolsonaro permanece em cuidados pós-operatórios, com uso de analgésicos, fisioterapia motora e medidas preventivas contra trombose. A equipe médica avalia ainda crises persistentes de soluço, que podem, em último caso, exigir nova intervenção.
Nada disso, porém, sensibilizou Alexandre de Moraes.
Ao associar o episódio ao simbolismo do Natal, Carlos Bolsonaro afirmou que o momento escancara a face mais cruel e desumana do atual estado de exceção informal instalado no país.
“Hoje é Natal. Dia de reunir a família, de celebrar os valores cristãos que moldaram nossa sociedade. E o que vemos é Alexandre de Moraes usando o aparato do Estado para humilhar, constranger e perseguir”, escreveu.
A previsão é que Jair Bolsonaro permaneça internado até, pelo menos, a próxima segunda-feira (29), seguindo sob um cerco policial que não protege ninguém, não previne nada e apenas confirma que, sob Alexandre de Moraes, a Justiça foi substituída por vingança institucionalizada.