PESQUISA: Eleições 2026 - Governador SC

Fonte: Neokemp

    28/12/2025 12h24 - Atualizado há 2 meses

    No apagar das luzes de 2025, a nova pesquisa eleitoral do instituto Neokemp desenha um cenário de relativa tranquilidade para o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), ainda que com pontos de atenção no horizonte. Realizado nos dias 22 e 23 de dezembro, o levantamento ouviu 1.200 eleitores em 95 municípios catarinenses, por meio da metodologia URA (Unidade de Resposta Audível), e cumpre um papel clássico da política: organizar o tabuleiro antes de o jogo começar para valer.

    Os números são claros. Neste momento, a corrida ao governo do Estado tem um favorito definido — e uma oposição ainda em busca de identidade, musculatura estadual e capilaridade fora de seus redutos tradicionais.

    Liderança consolidada

    O governador lidera com folga em todos os cenários testados. Dependendo da simulação, aparece com índices entre 41% e 45% das intenções de voto — patamar que, em condições normais, já coloca em dúvida a necessidade de um segundo turno. Mais do que a intenção de voto em si, o que sustenta essa largada confortável é a avaliação da gestão: quase dois terços dos catarinenses aprovam o governo, e a soma de “ótimo” e “bom” se aproxima de 60%.

    Os cenários

    No Cenário 1, Jorginho Mello registra 41,3% das intenções de voto. Em seguida aparecem João Rodrigues (PSD), com 20,1%; Décio Lima (PT), com 14,6%; Adriano Silva (Novo), com 9,6%; e Afranio Boppré (PSOL), com 2,9%. Brancos, nulos e indecisos somam 11,5%.

    No Cenário 2, o governador amplia levemente a vantagem e chega a 42,7%. João Rodrigues cresce e alcança 24%, seguido por Carlito Merss, com 8,9%, e Afranio Boppré, com 6,1%. Nesse cenário, brancos, nulos e indecisos representam 16,4%. A curiosidade aqui é a presença de Carlito como nome do PT, sinalizando uma tentativa de reposicionamento da legenda no Estado.

    Regionalização explica a assimetria

    A leitura regional ajuda a entender por que, neste momento, a disputa é claramente assimétrica. No Vale do Itajaí, no Norte e no Sul do Estado, Jorginho Mello lidera com margens confortáveis. São regiões onde o eleitor tende a valorizar estabilidade administrativa, previsibilidade econômica e continuidade. O voto é menos ideológico e mais pragmático — e governos bem avaliados costumam ser premiados.

    Na Serra, apesar do peso menor na amostra, o cenário se repete: liderança do governador e pouca margem para surpresas.

    O Oeste catarinense, por sua vez, surge como o principal polo de resistência ao favoritismo de Jorginho. É ali que João Rodrigues constrói sua competitividade real. Seus números são expressivos: 37,8% no Cenário 1 e 45,7% no Cenário 2. O discurso afinado com o eleitor local e, sobretudo, a baixíssima rejeição fazem dele uma liderança incontestável na região.

    O desafio de João Rodrigues, contudo, não está onde ele vai bem — mas onde ainda não chegou. Fora do Oeste, seu desempenho cai sensivelmente, e a distância para o governador permanece significativa. Sem ampliar presença no Vale do Itajaí, no Norte e na Grande Florianópolis, sua candidatura segue mais regional do que estadual.

    Situação semelhante vive Adriano Silva. Mesmo sem se colocar oficialmente como pré-candidato, ele aparece em segundo lugar na Região Norte, com 21,3%, contra 35,3% de Jorginho. Caso decida sair do muro, o prefeito de Joinville terá de percorrer o interior do Estado para se tornar conhecido além de seu reduto.

    Indecisos: atenção ao voto feminino

    O percentual de eleitores que ainda não definiu voto oscila entre 9% e 12%. Não é um número explosivo, mas é politicamente relevante. Esses indecisos se concentram principalmente entre mulheres — onde chegam a 15% —, jovens, eleitores de menor renda e fora do mercado formal de trabalho. Trata-se de um público menos ideológico e mais sensível ao ambiente econômico e ao clima político.

    O comportamento do eleitorado feminino, aliás, aparece como ponto de atenção recorrente em todas as pesquisas. Sua decisão pode ser determinante para confirmar uma vitória em primeiro turno ou empurrar a disputa para o segundo.

    Uma eleição de gestão, não de ruptura

    O retrato entregue pela pesquisa é o de uma eleição pouco emocional e fortemente administrativa. Não há, neste momento, polarização clara nem ambiente de ruptura. O eleitor catarinense sinaliza preferência pela continuidade — desde que o governo evite crises desnecessárias.

    Para Jorginho Mello, o desafio é clássico: manter a base satisfeita e não cometer erros que reabram uma disputa hoje sob controle. Para a oposição, o caminho é mais longo: conquistar os indecisos, ampliar território e convencer o eleitor de que há algo melhor a oferecer do que um governo bem avaliado.

    A eleição de 2026 ainda está distante. Mas a largada já foi dada.
    E, por ora, Santa Catarina corre em ritmo estável — sem turbulências para quem tem a caneta na mão.

    Veja a pesquisa completa nos canais oficiais da Neokemp:

     

     

     


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