O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, não construiu influência apenas no mercado financeiro. Construiu poder político — e o fez da forma mais antiga e eficaz da República: comprando acesso.
Em Brasília, Vorcaro transformou sua mansão de R$ 36 milhões no Lago Sul em um verdadeiro salão privado do poder, onde políticos, autoridades e ministros circulavam longe dos holofotes e sem registros oficiais.
O imóvel, com 1,7 mil metros quadrados de área construída, tornou-se palco recorrente de jantares reservados, nos quais decisões, relações e interesses se misturavam em ambiente informal — e altamente estratégico. No ano passado, conforme revelou o jornal O Globo, um desses encontros contou com a presença de Alexandre de Moraes, justamente enquanto estava em vigor um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
Moraes participou do evento desacompanhado e, segundo a reportagem, circulou entre políticos do Centrão, deputados federais e ex-ministros. Nada disso em um ambiente institucional, transparente ou público — mas sim na residência particular de um banqueiro com interesses diretos e bilionários em jogo.
A mansão de Vorcaro ocupa dois dos quatro lotes de um condomínio fechado, somando 4,3 mil metros quadrados de área privativa. O projeto, assinado pelo Studio Hub em 2012, ganhou nos bastidores de Brasília um apelido revelador: ponto fixo de encontros reservados do banqueiro com o poder. Não se trata de coincidência, mas de método.
Entre os frequentadores já citados estão o senador Ciro Nogueira e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A lista reforça que a casa não era espaço social, mas instrumento político.
Dados da Receita Federal desmontam ainda a versão apresentada por Vorcaro de que seria apenas inquilino do imóvel. As informações oficiais mostram ligações diretas do banqueiro com a Super Empreendimentos e Participações S.A., empresa proprietária formal da mansão. Na prática, Vorcaro não apenas frequentava o local: controlava o ambiente, os convites e o acesso.
Em Brasília, poder não se compra com discursos, mas com portas abertas, jantares exclusivos e relações cuidadosamente cultivadas. E tudo indica que Daniel Vorcaro entendeu isso cedo — e investiu pesado.