Correios vão demitir 15 mil e fechar mil unidades

    29/12/2025 14h22 - Atualizado há 2 meses

    O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, apresentou há pouco um amplo plano de reestruturação da estatal que prevê a adesão voluntária de até 15 mil funcionários a programas de desligamento, a venda de imóveis e o fechamento de aproximadamente mil agências em todo o país.

    Segundo Rondon, o conjunto de medidas deve gerar uma economia estimada em R$ 5,7 bilhões, enquanto novas parcerias no setor logístico e a diversificação de serviços poderão adicionar cerca de R$ 1,7 bilhão em receitas. Em um horizonte de longo prazo, a empresa também avaliará, com apoio de consultoria externa, a possibilidade de transição do modelo de capital exclusivamente público para um arranjo de capital misto.

    “O custo da folha de pagamento representa hoje 62% do orçamento da empresa e pode alcançar 72% quando considerados os precatórios. Trata-se de um peso que compromete seriamente a capacidade de reação dos Correios”, afirmou Rondon durante coletiva de imprensa. O plano prevê ainda a adoção de metas de produtividade e a aplicação dos R$ 12 bilhões recentemente liberados pelo Tesouro Nacional.

    A execução do programa ficará sob responsabilidade da presidência dos Correios, com supervisão do Conselho de Administração, da CGPAR e do Ministério das Comunicações. Intitulado “Plano de Reestruturação para a Sustentabilidade e Soberania Logística dos Correios”, o projeto terá vigência entre 2025 e 2027, embora alguns de seus efeitos — como o Programa de Demissão Voluntária (PDV) — estejam previstos apenas para 2027.

    Três fases de implementação

    O plano está estruturado em três etapas:

    • Fase 1 (até março de 2026): recuperação emergencial do caixa, com captação de R$ 12 bilhões e quitação ou renegociação de obrigações em atraso;

    • Fase 2 (2026–2027): reorganização administrativa e modernização das contas, com economia anual estimada em R$ 7,4 bilhões;

    • Fase 3 (a partir de 2027): avaliação, por consultoria especializada, de possíveis arranjos societários e do futuro modelo da empresa.

    Quatro programas centrais

    Além das fases, o plano se apoia em quatro programas principais:

    • Gastos com pessoal: PDV voltado a até 15 mil empregados (cerca de 18% do quadro), revisão de cargos estratégicos e benefícios, com economia anual estimada em R$ 2,1 bilhões;

    • Rede de operações: otimização da malha logística e fechamento de cerca de 1.000 unidades, sem prejuízo à universalização dos serviços, com economia anual de R$ 2,1 bilhões;

    • Parcerias de mercado: expansão para serviços financeiros, seguros e outras atividades, com expectativa de receita anual de R$ 1,7 bilhão;

    • Gestão de ativos: venda de imóveis considerados ociosos, com projeção de arrecadação anual de R$ 1,5 bilhão.

    O plano marca uma das mais profundas tentativas de reestruturação dos Correios nas últimas décadas, em meio ao desafio de manter a sustentabilidade financeira da estatal sem abrir mão de sua função estratégica e da universalização dos serviços postais no país.


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