O Deputado Federal Sanderson (PL-RS), acionou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que apure a suposta — e cada vez menos disfarçada — atuação informal do ministro Alexandre de Moraes em favor do Banco Master.
A representação foi encaminhada ao corregedor-geral do CNJ, Mauro Campbell, e tem como base as revelações feitas pela jornalista Malu Gaspar, que expuseram contatos reiterados entre Moraes e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
Sanderson pede que o CNJ apure eventual desvio de conduta funcional e a possível prática de advocacia administrativa, algo absolutamente incompatível com a posição de um ministro do Supremo Tribunal Federal — mas que, no Brasil atual, parece ter se tornado regra, não exceção.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Moraes teria ligado até seis vezes em um único dia para Galípolo, tratando diretamente da venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), numa tentativa explícita de “salvar” a instituição controlada por Daniel Vorcaro. Um comportamento que não apenas viola a liturgia do cargo, como escancara a promiscuidade entre poder político, sistema financeiro e a cúpula do Judiciário.
A gravidade institucional se torna ainda mais escandalosa quando se observa que o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro, mantém um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, justamente para representar a instituição perante órgãos reguladores como o Banco Central. Não se trata de coincidência — trata-se de conflito de interesses em estado puro.
Diante desse cenário, Sanderson solicita que o CNJ instaure procedimento apuratório, requisitando documentos, registros de comunicações, agendas, mensagens e atas relacionadas ao caso, além da oitiva de técnicos do Banco Central e demais envolvidos.
Mas o episódio ganha contornos ainda mais vergonhosos com a atuação da Procuradoria-Geral da República. Na segunda-feira, dia 29, o procurador-geral Paulo Gonet despachou num movimento que entrou para a história como mais um ato de subserviência explícita: um despacho feito sob medida para livrar a cara de Alexandre de Moraes, antes mesmo de qualquer apuração minimamente séria.
Gonet, que deveria ser o guardião da legalidade e da Constituição, age como um boneco de ventríloquo dos “supremos” brasileiros, repetindo o script que lhe é imposto pelo próprio STF. Sua conduta não é técnica, não é jurídica e muito menos independente — é política, servil e covarde.
O caso expõe, sem disfarces, o esgotamento moral das instituições. Quando ministros atuam como lobistas, quando esposas faturam milhões em contratos cruzados, quando a PGR funciona como escudo pessoal do poder e quando órgãos de controle são acionados apenas pela oposição, não estamos diante de um desvio pontual. Estamos diante de um sistema apodrecido, sustentado pela impunidade e pela blindagem entre pares.
O Brasil assiste, mais uma vez, à justiça sendo usada não para proteger a lei, mas para proteger os seus.