O problema não é a idade de Lula — é o Brasil que não sobreviverá a mais um mandato

Por Fábio Roberto de Souza

    31/12/2025 17h59 - Atualizado há 2 meses

    A revista The Economist publicou nesta terça-feira (30) um editorial afirmando que o Luiz Inácio Lula da Silva não deveria disputar um novo mandato em 2026 em razão da idade. Segundo a publicação, candidatos com mais de 80 anos representam riscos elevados à estabilidade política e institucional, mesmo quando acumulam experiência e popularidade. Lula, que hoje tem 80 anos, concluiria um eventual quarto mandato aos 85.

    A análise da revista é pertinente — mas profundamente insuficiente. A idade de Lula é, de longe, o menor dos problemas que um novo mandato representaria para o Brasil. O verdadeiro risco não está nos limites biológicos do Luiz Inácio, mas no projeto de poder, no modelo de governo e no regime que ele simboliza e sustenta.

    Ao comparar Lula ao ex-presidente norte-americano Joe Biden, a revista lembra corretamente que “carisma não é um escudo contra o declínio cognitivo”. No entanto, o Brasil enfrenta algo muito mais grave do que o desgaste natural de um político envelhecido: enfrenta a consolidação de um sistema político marcado pelo aparelhamento do Estado, pela degradação institucional, pelo abandono da responsabilidade fiscal e pela corrosão acelerada de valores humanos, sociais e republicanos.

    O editorial observa que Lula atravessa um momento “politicamente favorável”, apesar das tensões institucionais e disputas internacionais. Mas esse suposto favor político não nasce de virtudes administrativas ou de sucesso econômico. Ele é fruto de uma engrenagem de poder sustentada por alianças oportunistas, controle narrativo, tolerância seletiva à corrupção e uma escalada de gastos públicos - sustentando amigos e quem não quer trabalhar -  que empurra o país para uma crise fiscal anunciada e irreverssível.

    A própria revista reconhece que Lula carrega o peso dos escândalos de corrupção de seus mandatos anteriores — escândalos que jamais foram esquecidos por grande parte da população. O que talvez falte dizer com a devida clareza é que esses escândalos não pertencem ao passado: eles reaparecem diariamente, agora expostos até mesmo por setores da imprensa tradicional, muitos dos quais foram amplamente beneficiados por verbas públicas e publicidade oficial.

    No campo econômico, as políticas do atual regime petista são corretamente classificadas como “medíocres”. Na prática, são piores do que isso: representam um caminho quase seguro para a falência do Estado brasileiro, seja pelo descontrole fiscal, pela insegurança jurídica, pela hostilidade ao setor produtivo ou pela completa ausência de um projeto sério de desenvolvimento sustentável.

    Quando a revista afirma que “os brasileiros merecem opções melhores”, toca no ponto central. O problema não é se Lula tem idade para governar. O problema é que o Brasil não pode suportar mais um ciclo de retrocesso institucional, econômico e moral sob a liderança de um projeto político que já demonstrou, reiteradas vezes, sua incapacidade de respeitar limites, valores e responsabilidades.

    A promessa feita por Lula em 2022 de não disputar um novo mandato parece cada vez mais vazia, assim como a inexistência de um sucessor preparado no campo da esquerda evidencia o esgotamento desse projeto. Não se trata de legado a ser preservado, mas de um ciclo que precisa ser encerrado.

    As eleições de 2026 serão, de fato, decisivas. Não por causa da idade de um candidato, mas porque estarão em jogo a sobrevivência das instituições, a saúde econômica do país e a recuperação de valores básicos como responsabilidade, honestidade e respeito ao cidadão. Renovar a política brasileira não é uma opção estética — é uma urgência histórica.


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