O advogado Jeffrey Chiquini divulgou há pouco um vídeo contundente denunciando a prisão preventiva de Filipe Martins, classificando a medida como um ato de vingança pessoal, abuso de autoridade e antecipação ilegal de pena no âmbito do processo da chamada “suposta trama golpista”.
Martins foi preso na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal, por ordem direta do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Na decisão, Moraes alegou que o ex-assessor teria acessado um perfil no LinkedIn, mesmo estando em prisão domiciliar, utilizando esse episódio como pretexto para decretar a prisão preventiva. Em tom acusatório e genérico, o ministro afirmou que o investigado demonstraria “total desrespeito pelas normas impostas e pelas instituições constitucionalmente democráticas”.
Para Chiquini, trata-se de uma narrativa artificial e forçada, criada para justificar aquilo que, segundo ele, já estava decidido muito antes: a prisão de Filipe Martins. No vídeo, o advogado afirma que o STF agora executa medidas que buscava implementar desde 2019, quando Martins passou a ser rotulado — sem processo, sem provas e sem contraditório — como um dos supostos líderes do chamado “gabinete do ódio”.
O advogado ressalta uma contradição gritante e reveladora: o próprio Alexandre de Moraes havia reconhecido formalmente que Filipe Martins vinha cumprindo de maneira exemplar todas as medidas cautelares impostas. Ainda assim, agora, o ministro teria optado por rasgar suas próprias decisões anteriores para satisfazer um projeto pessoal de perseguição.
“Hoje Alexandre de Moraes apenas colocou em prática aquilo que sempre quis”, afirmou Chiquini.
Em outro trecho, o advogado faz uma acusação frontal ao sistema judicial que se consolidou no país:
“O Brasil está assistindo à completa inexistência de devido processo legal. Não importa quantos recursos interponhamos. Já são mais de dez, todos ignorados, sem qualquer análise. Não importa a quantidade de provas, não importa o grau de inocência.”
Segundo Chiquini, o objetivo do STF deixou de ser a aplicação da Justiça e passou a ser a eliminação política de Jair Bolsonaro, do bolsonarismo e de qualquer aliado ou figura associada a esse campo ideológico, transformando o Judiciário em instrumento de repressão seletiva.
“Filipe Martins não foi preso pelo que fez, mas por quem é”, disse. “No dia 2 de janeiro de 2026, Filipe Martins foi preso simplesmente por ser Filipe Martins.”
A defesa ainda irá deliberar sobre os próximos passos, mas o advogado ironizou o cenário kafkiano que se impõe:
“Vamos recorrer para quem? Para o próprio Alexandre de Moraes?”
Ao final, Chiquini foi categórico ao classificar a situação:
“Filipe Martins é, oficialmente, um preso político. Mais um perseguido por um regime autoritário que se instalou no Brasil. Mas não vamos nos calar, não vamos recuar e não vamos desistir de lutar.”