O que foi proibido dizer em 2022 volta a se impor: Lula, Maduro e a velha aliança com ditaduras

Por Fábio Roberto de Souza

Por

NUNCA ESQUEÇAMOS: Durante a campanha eleitoral de 2022, um dos episódios mais controversos do processo foi a atuação do aparato judicial-eleitoral para restringir o debate público. Decisões do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal proibiram que fosse sequer citado fatos amplamente documentados da trajetória política de Luiz Inácio Lula da Silva, como sua relação histórica e pessoal com Nicolás Maduro e com outros líderes autoritários da esquerda latino-americana.

À época, tornou-se vedado lembrar que Lula sempre manteve vínculos estreitos com ditadores como Hugo Chávez e Fidel Castro, relações que não foram episódicas, mas estruturais. Esses laços ajudaram a dar origem, ainda nos anos 1990, ao Foro de São Paulo, articulação política criada para integrar partidos e governos de esquerda da região, muitos deles associados a regimes autoritários. Está aí (...)

E AGORA?: Passado o processo eleitoral, os fatos voltam a se impor. Mais uma vez, Lula se posiciona publicamente em defesa de Nicolás Maduro — não da Venezuela enquanto nação, tampouco de seu povo, mas do ditador que comanda o regime responsável pelo colapso institucional, econômico e humanitário do país. Trata-se de uma escolha política clara e reiterada.

O discurso oficial ignora deliberadamente a tragédia venezuelana: mais de 8 milhões de cidadãos forçados a deixar seu país, configurando um dos maiores êxodos da história contemporânea, além de milhões de vítimas diretas da repressão, da miséria e da violência estatal ao longo dos últimos anos.

Ao relativizar ou justificar o regime de Maduro, o Lula se afasta não apenas dos valores democráticos, mas também da solidariedade básica aos povos oprimidos.

O que se observa, portanto, é coerência — não com a democracia, mas com uma antiga aliança ideológica. Lula repete o padrão que foi ocultado do eleitor em 2022: a preferência sistemática por governos autoritários alinhados ao seu projeto político, mesmo quando isso significa fechar os olhos para ditaduras, perseguições e tragédias humanas de proporções históricas.


Notícias Relacionadas »