Assim como fizeram pelos terroristas assassinos do Hamas, em cidades brasileiras foram registraram, nos últimos dias, manifestações contra o presidente norte-americano Donald Trump e em defesa do regime do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Os atos, organizados por movimentos e partidos de esquerda, ganharam repercussão nas redes sociais, com vídeos que mostram discursos exaltando o governo venezuelano e atacando sanções internacionais.
No entanto, um dado chama atenção e desmonta a narrativa apresentada nos palanques improvisados: nenhum dos manifestantes que defendiam Maduro era venezuelano. Em conversas registradas em vídeo — que circulam amplamente nas redes — venezuelanos nascidos na Venezuela foram até protestos para entender qujem estava lá e relataram, de forma direta, que não encontraram um único conterrâneo apoiando o regime.
Os depoimentos são contundentes. Venezuelanos afirmam que quem viveu sob o chavismo conhece a realidade de colapso econômico, repressão política, censura e êxodo em massa. Segundo eles, o apoio a Maduro, visto nos protestos brasileiros, parte de militantes ideológicos que não experimentaram a fome, a falta de medicamentos, a perseguição a opositores e o esvaziamento das instituições na Venezuela.
A contradição escancara uma acusação recorrente feita por críticos desses atos: trata-se de uma militância desconectada da realidade, que relativiza — ou nega — a tragédia humanitária venezuelana. Para os venezuelanos ouvidos, defender Maduro fora da Venezuela é um exercício de hipocrisia política e desonestidade moral, pois ignora as vítimas de um regime acusado internacionalmente de graves violações de direitos humanos.
Oito milhões de venezuelanos deixaram o país na última década, fugindo da miséria e da repressão. Ainda assim, partidos e movimentos de esquerda no Brasil insistem em romantizar o regime, transformando-o em bandeira ideológica e apagando o sofrimento real de uma população inteira.
Os vídeos que circulam nas redes sociais reforçam esse contraste: de um lado, militantes brasileiros defendendo Maduro; de outro, venezuelanos desmentindo a narrativa, lembrando mortos, presos políticos e famílias destruídas. Para esses imigrantes, negar a tragédia venezuelana é negar fatos, negar vítimas e legitimar um regime que governa pelo medo.
Enquanto isso, os protestos seguem sendo utilizados como instrumento político no Brasil, mesmo quando a própria voz dos venezuelanos — aqueles que viveram a realidade do regime — afirma, sem ambiguidades: Maduro não representa o povo da Venezuela.