Lula veta integralmente PL da Anistia/Dosimetria e escancara a hipocrisia histórica da esquerda

Por Fábio Roberto de Souza

    08/01/2026 18h34 - Atualizado há 1 mês

    Ao vetar integralmente o PL da Anistia/Dosimetria, Luiz Inácio Lula da Silva não apenas reafirma a hipocrisia histórica da esquerda — amplamente anistiada no passado — como também mente descaradamente ao sustentar que os réus dos atos de 8 de Janeiro teriam sido submetidos a julgamentos “justos”, com “ampla defesa” e “devido processo legal”.

    Mentiroso. A afirmação não resiste ao confronto com os fatos.

    Não houve ampla defesa quando pessoas foram presas em massa, sem individualização de condutas, com denúncias genéricas e enquadramentos automáticos. Não houve julgamento justo quando penas desproporcionais foram aplicadas a indivíduos sem antecedentes, equiparados a terroristas, enquanto provas frágeis e presunções ideológicas substituíram a análise concreta de cada caso. Não houve devido processo quando a dosimetria virou instrumento político, e não técnico-jurídico.

    O discurso de Lula tenta normalizar o excepcionalismo penal: a ideia de que, para determinados inimigos políticos, garantias constitucionais podem ser relativizadas. É a negação do Estado de Direito sob a retórica de sua defesa. Justiça que escolhe réus pelo CEP ideológico não é justiça — é vingança institucional.

    A mentira se torna ainda mais gritante quando lembramos quem hoje aplaude o veto. São anistiados de ontem: militantes que, durante o regime militar, participaram de sequestros, roubos, atentados e homicídios. Foram perdoados pelo Estado, reinseridos na vida pública e, décadas depois, chegaram ao poder. Agora, negam qualquer discussão sobre equilíbrio punitivo a quem pensa diferente. Fecharam a porta depois de atravessá-la.

    O anúncio do veto ocorreu em um ato vazio, sem povo, sem ruas, sem apoio popular. Um governo que diz falar em nome da democracia, mas evita o julgamento da sociedade. O silêncio das praças contrasta com a arrogância do Planalto.

    Ao afirmar que tudo foi “justo”, Lula não defende a Justiça — tenta blindar abusos. O veto à anistia/dosimetria não pacifica o país, não corrige excessos e não honra a Constituição. Apenas consolida a narrativa mentirosa de que exceções autoritárias seriam virtudes democráticas.

    A história, porém, não se apaga por decreto. Nem por veto. Nem por mentira repetida em palanque vazio.


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