O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou nesta quarta-feira (21), em entrevista ao SBT News, que não cabe à Corte analisar o caso envolvendo o Banco Master. Segundo ele, o processo deveria tramitar na primeira instância.
“Esse caso não deveria estar no Supremo. Tinha que estar na primeira instância. Qual era o nosso procedimento, da velha guarda, nos anos 1990, no STF? Quando havia um inquérito envolvendo alguém com foro privilegiado, o processo era desmembrado e encaminhado ao foro competente para que cada cidadão respondesse onde a lei determina”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de o caso afetar a imagem do STF e estimular pedidos de impeachment contra ministros da Corte, Marco Aurélio disse considerar o cenário preocupante.
“Eu ando nas ruas e as pessoas lamentam a postura do Supremo. A minha tristeza é absoluta. Isso ocorre em razão da elasticidade da competência que o STF vem adotando. Um eventual impeachment seria, a meu ver, uma tentativa de correção de rumos. Não gosto de ouvir críticas ao Supremo, mas é preciso dizer: os homens passam, a instituição é perene e precisa ser preservada”, declarou.
Durante a entrevista, o ministro aposentado também relembrou um episódio de 1997, quando se declarou impedido de participar do julgamento sobre a inabilitação política do ex-presidente Fernando Collor de Mello, seu primo.
“Quando o ex-presidente Collor sofreu o impeachment, ele me procurou. Eu o atendi, mas comuniquei ao então presidente do Supremo que não participaria da votação do processo. Sempre acreditei que um ministro do STF deve agir como a mulher de Júlio César: não basta ser honesto, é preciso parecer”, concluiu.