Uma reunião reservada, encerrada por volta das 15h30 desta quarta-feira (21), no badalado restaurante Santa Mistura, em Joinville, pode ter redefinido os rumos da política catarinense. O encontro entre o prefeito de Joinville, Adriano Silva, e a cúpula do partido Novo selou uma decisão estratégica que vai muito além do município: Adriano está convencido a renunciar ao cargo em abril para disputar a eleição de outubro como candidato a vice-governador na chapa de reeleição do governador Jorginho Mello.
A conversa, mantida sob absoluto sigilo, ocorreu na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, e marca um divisor de águas tanto na trajetória política de Adriano Silva quanto no desenho eleitoral do Estado. O caminho escolhido surpreendeu até mesmo aliados mais próximos. Diferentemente do que se especulava, o Novo descartou a candidatura própria ao governo e também uma aliança com o PSD, optando por aceitar o convite considerado “quase irrecusável” feito por Jorginho Mello.
Três cenários estavam na mesa. Um deles defendia a manutenção da parceria com o PSD, repetindo a coligação que garantiu a reeleição de Adriano à Prefeitura de Joinville. Outro, mais ousado, previa o próprio Adriano como candidato ao governo do Estado. Mas foi a segunda alternativa que ganhou força: a composição direta com Jorginho Mello, ocupando a vaga de vice-governador, o que implicaria a exclusão do MDB da chapa e reposicionaria o Novo no centro da articulação estadual.
Jorginho Mello trabalha abertamente para consolidar uma frente ampla da direita em Santa Catarina. A composição em gestação inclui Adriano Silva como vice, Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni como candidatos ao Senado, formando uma chapa assumidamente ideológica. Com isso, ficam fora do projeto o MDB e o senador Esperidião Amin. Ainda há espaço para negociação com o PSD, liderado por Eron Giordani e, principalmente, pelo deputado Júlio Garcia, mas o eixo central da chapa já está definido.
A reunião em Joinville contou com a presença de lideranças estratégicas do Novo, entre elas Odair Tramontin, de Blumenau — candidato ao governo na última eleição —, vereadores do partido, como Érico Vinícius, além do deputado estadual Matheus Cadorin. Nos bastidores, outros nomes acompanharam à distância, torcendo por uma definição que pode beneficiar diversas candidaturas em 2026.
O anúncio oficial ainda não foi feito, mas os sinais são claros. Nesta quinta-feira (22), às 10h, Adriano Silva estará ao lado do governador Jorginho Mello no Palácio da Agronômica, em Florianópolis. A agenda prevê anúncios de convênios, registros fotográficos conjuntos e a possibilidade de revelar uma parceria estratégica envolvendo o Hospital São José — movimento interpretado como mais um gesto de alinhamento político.
Outro indício veio da comunicação. Adriano concederia entrevista nesta quinta-feira (22) ao programa Ponto de Partida, da 89 FM, mas a participação foi desmarcada oficialmente às 16h da quarta-feira, alimentando ainda mais as especulações.
E Joinville, como fica?
Com a renúncia de Adriano prevista para abril, quem assume a Prefeitura de Joinville é a vice-prefeita Rejane Gambin. Inicialmente cotada como pré-candidata a deputada federal, Rejane deve permanecer no comando do Executivo municipal. Já o vereador Érico Vinícius foi definido como pré-candidato à Câmara dos Deputados. Para a Assembleia Legislativa, os nomes postos são o deputado estadual Matheus Cadorin e o vereador Neto Petters.
A decisão de Adriano Silva não apenas redefine o cenário eleitoral de Joinville, mas projeta o município como peça-chave na sucessão estadual, colocando o Novo no centro de uma articulação que pode consolidar uma das chapas mais competitivas da eleição de 2026 em Santa Catarina.