Lula Master: O buraco é bem mais à esquerda

Por Claudio Dantas

    27/01/2026 20h35 - Atualizado há 1 mês

    Lula está ferrado. A imprensa descobriu que ele se reuniu secretamente com Daniel Vorcaro, ciceroneado pelos petistas Guido Mantega e Augusto Lima. A imprensa também descobriu que ele se encontrou fora da agenda com o também petista Dias Toffoli e, antes dele, com o protopetista André Esteves, algoz do dono do banco Master. O caso foi assunto de conversas também com Fernando Haddad e Gabriel Galípolo, todos petistas.

    Metade do Master é do PT e aqui não é força de expressão. O Credcesta, uma espécie de PPP de Jaques Wagner e Rui Costa, representava 50% do faturamento do banco de Vorcaro. Quando a situação apertou em 2024, ‘Guga Lima’ pulou fora, comprou outro banco e levou com ele a galinha dos ovos de ouro. Com aval de Galípolo, criou outro banco, o Pleno, plenamente petista.

    A tentativa do ‘rei do consignado’ de apagar seus rastros e os de seus padrinhos políticos incluiu a recente troca de comando no Ministério da Justiça, com a saída do petista Ricardo Lewandowski, consultor remunerado do Master, por Wellington Silva, ex-procurador ligado à dupla baiana. Talvez, por isso, a Polícia Federal não tenha se interessado em questionar Vorcaro sobre o Credcesta e, talvez, tenha achado uma boa o adiamento da oitiva do ex-sócio petista do Master.

    De fato, é muito petista para um banco só. Até Guido Mantega conseguiu um assento no conselho de notáveis dessa notável instituição financeira brasileira, com proventos mensais de R$ 1 milhão. Salário digno do eterno camisa 10 da contabilidade criativa. Tanto petista e tanto dinheiro certamente incomodou Esteves, que já foi o centro das atenções e das articulações em Brasília. Perdeu o posto quando foi preso e não descansará até recuperar o posto.

    A imprensa também descobriu que Esteves liderou o levante contra o Master dentro do governo, convencendo Fernando Haddad e Gabriel Galípolo a evitarem uma solução de mercado, mudando regras que precipitaram a crise de liquidez do banco, forçando a venda de ativos ao BTG e impedindo a entrada de novos players, nacionais e internacionais. Os argumentos de Esteves foram tão bons que convenceram Lula a abandonar e expor aliados históricos.

    Talvez, Lula não contasse com a conduta inebriante de Dias Toffoli, protagonista de uma operação abafa que, de tão atrapalhada, trouxe à lembrança o ‘dossiê dos aloprados’ de Aloizio Mercadante. Quem poderia imaginar que o multimilionário contrato da mulher de Alexandre de Moraes acabaria obliterado* pelo escândalo dos resorts da família do ministro petista – um velho escândalo, diga-se.

    Na Faria Lima, a pergunta que não quer calar é se Haddad deixará realmente o governo agora, como fez Lewandowski, ou se esticará a corda até abril, quando precisará decidir sobre o registro de uma eventual candidatura. Corretores apostam que o ministro virá de vice de Lula, com Esteves de principal cabo eleitoral no mercado financeiro. Afinal, para o PT, banqueiro bom é banqueiro solto.


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