Durante o programa ALive desta sexta-feira (30), o jornalista Claudio Dantas afirmou que o caso envolvendo o Banco Master alcançou um grau de complexidade tal que passou a unificar frentes de investigação distintas no Congresso Nacional. Segundo ele, o escândalo conecta apurações da CPMI do INSS, da CPI do Crime Organizado e ainda pressiona pela instalação de uma CPI específica para apurar as operações do banco controlado por Daniel Vorcaro.
Dantas destacou que já existem pedidos de quebra de sigilo protocolados na CPI do Crime Organizado, incluindo contratos firmados entre o Banco Master e Viviane Barci de Moraes, esposa de ministro do Supremo Tribunal Federal. Em paralelo, a CPMI do INSS convocou Vorcaro para depor no próximo dia 5, com o objetivo de esclarecer operações envolvendo crédito consignado.
“Estamos falando de economia real sendo financiada por operações sob suspeita — seja em termos de compliance, seja pelas relações políticas que orbitam essas transações, especialmente no consignado”, afirmou o jornalista.
Para Dantas, os indícios reunidos até agora apontam que o escândalo transcende o sistema financeiro, alcançando órgãos reguladores e agentes públicos em diferentes esferas do poder.
“Há um problema regulatório evidente, que envolve Banco Central, CVM e Receita Federal. Mas há também sinais de corrupção, pois surgem agentes públicos não apenas no ambiente regulatório, como também no Congresso e no Executivo. Por isso, muitos já classificam o caso como uma ‘nova Lava Jato’ — porque, desta vez, o epicentro alcança inclusive a cúpula do Judiciário.”
O jornalista exemplificou o alcance do caso:
“Temos hoje um ministro sob suspeita de ser sócio oculto de um empreendimento hoteleiro financiado por fundo ligado ao banco investigado. Temos a esposa desse ministro firmando contrato com valores acima do mercado com o mesmo banco. E ainda ex-ministros da Fazenda e ex-ministros do próprio STF atuando como conselheiros dessa instituição.”
Segundo Dantas, o conjunto desses fatos revela uma teia de relações que exige apuração rigorosa e independente, sob pena de o país assistir à normalização de práticas que corroem a credibilidade das instituições e a confiança no sistema financeiro e regulatório.