STF em camarote enquanto o país afunda em escândalos

    01/02/2026 21h51 - Atualizado há 1 mês

    Enquanto o país assiste, perplexo, à sucessão de denúncias, relações promíscuas com o poder econômico e decisões cada vez mais desconectadas da realidade social, membros do Supremo Tribunal Federal parecem viver em uma bolha de conforto, blindagem institucional e absoluto desprezo pela indignação popular.

    Neste domingo (1º), os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino marcaram presença na final da Supercopa do Brasil 2026, entre Corinthians e Flamengo, disputada no Estádio Mané Garrincha. Um evento esportivo de gala, camarotes exclusivos e clima festivo — contraste gritante com a crise de credibilidade que envolve a mais alta Corte do país.

    Alexandre de Moraes, torcedor declarado do Corinthians, assistiu à partida acompanhado de sua esposa. A cena, aparentemente banal, ganha contornos incômodos diante das controvérsias que cercam o ministro. Moraes é hoje o símbolo máximo de um Supremo que acumula poderes, avança sobre competências de outros Poderes e se fecha a qualquer forma de controle externo ou prestação de contas.

    Críticas se intensificam especialmente diante de revelações envolvendo o sistema financeiro e relações pessoais de integrantes da Corte. O caso do Banco Master, por exemplo, tornou-se emblemático. Reportagens e documentos já levantaram questionamentos sobre contratos milionários firmados com pessoas ligadas a membros do Judiciário, inclusive um contrato que, segundo informações amplamente divulgadas, teria alcançado a cifra de R$ 129 milhões sem que se conheça, de forma clara, a efetiva contraprestação. Até hoje, o silêncio institucional predomina.

    Esse cenário se soma a um histórico que envolve outros ministros. Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski também figuram com frequência em reportagens que tratam de decisões controversas, relações políticas questionáveis e blindagens jurídicas que jamais seriam toleradas a qualquer cidadão comum.

    A imagem que se projeta é a de um Supremo alheio ao país real. Um tribunal que não demonstra constrangimento em ocupar camarotes, eventos de luxo e agendas sociais, enquanto ignora escândalos, críticas fundamentadas e a crescente percepção de que parte de seus membros se considera acima da lei.

    A vitória do Corinthians por 2 a 0 sobre o Flamengo garantiu o título da Supercopa. Mas fora do gramado, quem segue perdendo é a confiança da população nas instituições. O STF, que deveria ser o guardião da Constituição, parece cada vez mais confortável no papel de poder absoluto — sem freios, sem transparência e, sobretudo, sem qualquer sinal de autocrítica.

     


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