O senador Rogério Correia voltou a protagonizar um dos episódios mais constrangedores da política recente. Em busca de engajamento fácil e narrativa conveniente, publicou em suas redes sociais uma imagem falsa, produzida com uso de inteligência artificial, na qual tentava associar Jair Bolsonaro a suposto esquema de “roubo” envolvendo o Banco Master, ao lado de Campos Neto e Daniel Vorcaro.
A farsa, no entanto, não resistiu aos fatos. Desmascarado, o senador apagou silenciosamente a postagem, sem pedido público de desculpas, sem retratação e sem qualquer explicação minimamente honesta à sociedade. Um comportamento que não surpreende, mas que revela muito sobre o método: primeiro acusa, depois apaga, e por fim se esconde atrás do silêncio cúmplice.
Mais grave ainda é a hipocrisia política escancarada. O mesmo Rogério Correia que, na postagem fake, falava em “roubalheira” no Banco Master foi contra a criação de uma CPI destinada justamente a investigar o escândalo. Ou seja: para atacar adversários, vale até imagem falsa criada por IA; para apurar os fatos com seriedade, transparência e instrumentos institucionais, o senador vota contra.
Esse comportamento não é apenas incoerente — é cínico. Demonstra que o objetivo nunca foi esclarecer nada, mas apenas manipular narrativas, atacar seletivamente e proteger interesses. Se há indícios graves envolvendo o sistema financeiro, por que fugir da investigação? Se há suspeitas relevantes, por que barrar uma CPI?
O caso do Banco Master cresce dia após dia, alcançando esferas sensíveis do poder, do sistema financeiro a gabinetes influentes de Brasília. Justamente por isso, a tentativa de abafar investigações e substituir fatos por montagens digitais levanta questionamentos ainda mais sérios. Quem teme a apuração? Quem se beneficia do silêncio?
Ao recorrer à mentira tecnológica e, ao mesmo tempo, sabotar os mecanismos legais de investigação, Rogério Correia não ataca apenas adversários políticos — ataca a inteligência da população, banaliza o debate público e contribui para a degradação institucional que diz combater.
No fim, o episódio deixa claro: quem tem compromisso com a verdade não apaga postagem fake — enfrenta os fatos. E quem realmente acredita que há corrupção, não foge da CPI. O resto é encenação, desinformação e oportunismo político.