O escritor, historiador e youtuber Eduardo Bueno, conhecido como “Peninha”, voltou a causar indignação nacional ao viralizar, mais uma vez, com declarações que ultrapassam o limite da crítica política e adentram o terreno do ódio ideológico explícito. Militante confesso da esquerda mais radical, eleitor e defensor incondicional de Lula e do petismo mais extremista, Bueno consolidou ao longo dos anos um histórico marcado pelo desprezo declarado à democracia, pela hostilidade a conservadores e pela banalização — quando não a celebração — da morte de adversários políticos.
O episódio mais recente envolve um recorte do vídeo “Com Mil Raios”, publicado na última quarta-feira (28) em seu canal Buenas Ideias, que passou a circular amplamente nas redes sociais neste domingo. No conteúdo, Peninha defende abertamente que evangélicos não deveriam ter direito ao voto, numa fala que escancara seu viés autoritário e sua aversão a qualquer parcela da sociedade que não se submeta à cartilha ideológica da esquerda.
Em tom de deboche, o youtuber comenta a queda de um raio durante uma manifestação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), episódio tratado por ele e por militantes da esquerda como uma suposta “resposta divina”. O sarcasmo não é casual: trata-se do mesmo padrão retórico que Peninha adota sempre que se refere a figuras conservadoras — desumanização, escárnio e desejo velado (ou explícito) de morte.
“Evangélico tem que ficar no culto, tem que ficar pastando junto com o pastor. Devia ser proibido evangélico votar”, afirmou, sem qualquer constrangimento, ao sugerir a cassação de direitos políticos de milhões de brasileiros apenas por sua fé. A fala, que em qualquer democracia minimamente funcional seria tratada como discurso autoritário e discriminatório, foi feita com naturalidade por quem se apresenta como defensor da “pluralidade”.
No início do vídeo, o próprio Bueno admite que aborda o tema não por relevância, mas por necessidade de engajamento, revelando o uso cínico da polarização e do ódio como ferramenta de audiência. Entre os temas que cogitou explorar, mencionou escândalos graves como o do banco Master — que envolvem figuras próximas ao poder — mas preferiu investir no ataque ideológico a adversários da esquerda.
O caso não é isolado. Em meados do ano passado, Peninha já havia causado repulsa ao afirmar que “é sempre terrível um ativista ser morto por suas ideias, exceto quando é o Charlie Kirk”, relativizando a morte de um adversário político simplesmente por discordar de sua visão de mundo. A declaração gerou tamanha reação que resultou no cancelamento de palestras e no rompimento de parcerias institucionais.
A lista de episódios é extensa e reveladora. Recentemente, ao comentar a morte do jornalista José Roberto Guzzo, veterano da imprensa brasileira, Bueno reagiu com um chocante “Que maravilha!”. Em outras ocasiões, confessou ter “vibrado” com a morte de nomes como Ronald Reagan, Margaret Thatcher, Henry Kissinger e o ex-presidente Emílio Garrastazu Médici — todos identificados, em maior ou menor grau, com a direita.
Sobre Olavo de Carvalho, a quem dirigia insultos pessoais constantes, chegou a declarar que “não merecia viver”. O mesmo padrão se repete ao falar de pessoas vivas: o músico Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, e a deputada Ana Campagnolo (PL-SC) figuram entre os alvos de declarações em que Peninha expressa, sem disfarces, o desejo de que “não estivessem neste mundo”.
O acúmulo de declarações extremistas levou ao encerramento do podcast Nós na História, que apresentava havia três anos. Em nota oficial, os responsáveis afirmaram que a decisão se deu “em vista dos últimos acontecimentos”. Além disso, Bueno foi afastado do Conselho Editorial do Senado Federal (CEDIT), após pressão parlamentar. O então presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi categórico ao afirmar que o escritor “deveria ter sido demitido assim que o vídeo chegou ao seu conhecimento”.
Autor de mais de 30 livros e responsável por obras conhecidas como a Coleção Brasilis e Brasil: Uma História, Eduardo Bueno hoje utiliza sua visibilidade para militância ideológica agressiva, travestida de humor e erudição. À frente de um canal com mais de 1,5 milhão de inscritos, Peninha não esconde seu alinhamento com o lulopetismo nem seu desprezo por conservadores, religiosos e qualquer visão que não se submeta ao pensamento único da esquerda.
O caso expõe algo maior: quando o radicalismo ideológico se combina com audiência, engajamento e impunidade simbólica, o resultado não é debate — é intolerância, autoritarismo e a normalização do ódio político, inclusive contra a vida humana.