Com aproximadamente 100 mil eleitores, Brusque entra no cenário das eleições de 2026 vivendo um paradoxo político: apesar de sua força econômica, posição estratégica no Vale do Itajaí-Mirim e elevada contribuição tributária ao Estado de Santa Catarina e à União, o município não elege representantes próprios aos Legislativos estadual e federal há cerca de 20 anos.
Essa ausência prolongada de representatividade tem sido apontada por lideranças locais, como um dos fatores que explicam a dificuldade de avanço em pautas estruturais da cidade e de toda a região. Demandas relacionadas a infraestrutura, mobilidade, segurança pública, saúde e desenvolvimento industrial frequentemente perdem espaço nas prioridades governamentais quando não há parlamentares diretamente vinculados ao município para defendê-las nos centros de decisão.
Brusque figura entre as maiores arrecadadoras de impostos de Santa Catarina e, proporcionalmente, destaca-se também no cenário nacional. Ainda assim, sem voz própria na Assembléia e no Congresso, pleitos regionais acabam sendo diluídos em agendas mais amplas, muitas vezes distantes da realidade local.
Pré-candidaturas já colocadas
Mesmo com o cenário desafiador, o processo eleitoral de 2026 começa a ganhar forma com a apresentação de nomes que buscam recolocar Brusque no mapa da representação política.
Pré-candidatos a deputado estadual
Cacá Tavares (Podemos)
Deco Batisti (PL)
Marcus Foppa (Republicanos)
Paulo Eccel (PT)
Rick Zanata (Novo)
Rodrigo Voltolini (PSDB)
Santiago César (Missão)
Pré-candidatos a deputado federal
Jean Dalmolin (Republicanos)
Jean Pirola (PP)
João Martins (PSD)
Desafio
Mais do que uma disputa eleitoral tradicional, 2026 tende a ser encarado como um momento decisivo para o futuro político de Brusque e do Vale. A eleição de representantes próprios pode significar maior capacidade de articulação por recursos, obras estruturantes e políticas públicas alinhadas às necessidades locais.
Sem essa presença institucional, a região corre o risco de permanecer à margem das prioridades estaduais e federais, apesar de sua relevância econômica.
O cenário que se desenha, portanto, não é apenas de escolha de nomes, mas de uma decisão coletiva sobre retomar voz política após duas décadas de silêncio parlamentar.
O desafio concreto, diante dessa verdadeira “constelação de candidaturas” já colocada, será convencer o eleitor a priorizar o chamado voto útil — valorizando candidatos da própria região, em vez dos tradicionais “paraquedistas”. Ao mesmo tempo, caberá aos postulantes superar as barreiras das fronteiras municipais, levando suas propostas a toda Santa Catarina, com atenção especial às demandas da nossa região.
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Fábio Roberto de Souza é jornalista – 6867/SC, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo.
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