Lula abandona a fantasia da conciliação e assume, sem disfarces, o projeto de poder pelo confronto

Por Fábio Roberto de Souza

    07/02/2026 18h13 - Atualizado há 3 semanas

    Não há surpresa real nas palavras de Luiz Inácio Lula da Silva ao declarar que “não tem mais Lulinha paz e amor” e que a eleição de 2026 será uma “guerra”. O que se viu em Salvador nestes sábado(7), não foi mudança de postura, mas apenas o abandono definitivo de uma fantasia política cuidadosamente construída no passado para vencer eleições. A máscara caiu.

    Lula nunca foi, de fato, o líder conciliador que a propaganda tentou vender. Sempre operou pela lógica do conflito, da divisão entre “nós” e “eles”, da mobilização permanente de ressentimentos sociais como combustível político. Agora, já sem necessidade de disfarces, assume publicamente a estratégia do enfrentamento total — não apenas contra adversários, mas contra qualquer voz que ouse discordar de seu projeto de poder.

    Quando um presidente da República trata eleições como “guerra”, não está apenas escolhendo uma metáfora infeliz. Está ajudando a deteriorar o ambiente democrático, transformando divergência política em batalha moral, institucional e emocional. Esse tipo de retórica não pacifica um país dividido; ao contrário, aprofunda fraturas, tensiona instituições e normaliza a radicalização como método de governo.

    Mais grave ainda é o contexto em que esse discurso surge. O PT carrega um histórico pesado de escândalos que marcaram negativamente a política nacional e abalaram a confiança pública. Em vez de autocrítica profunda ou compromisso inequívoco com padrões éticos elevados, o que se observa é a reedição de alianças questionáveis, a proximidade com estruturas de poder fechadas e a tentativa constante de controlar a narrativa pública — inclusive com apoio de setores institucionais que deveriam preservar distância crítica do governo.

    A retórica de soberania nacional, repetida como mantra, também soa cada vez mais vazia. Fala-se em independência enquanto se relativizam liberdades, se tensionam regras fiscais, se fragiliza a segurança jurídica e se aproxima diplomaticamente de regimes que pouco têm a ensinar sobre democracia. Não há soberania verdadeira onde instituições são pressionadas e a crítica é tratada como inimiga.

    O que Lula apresenta ao país não é um projeto de união, mas de permanência. Não é reconciliação, mas hegemonia. Não é diálogo, mas narrativa única. E toda vez que a política brasileira caminhou por essa trilha — de personalismo, confronto permanente e concentração de poder — o resultado foi instabilidade, retrocesso econômico e perda de confiança social.

    O Brasil precisa de serenidade institucional, responsabilidade fiscal, segurança jurídica e respeito absoluto às liberdades. Precisa de líderes que reduzam tensões, não que as inflamem. Precisa de futuro, não de guerras políticas intermináveis.

    Ao abandonar de vez o “paz e amor”, Lula não revela força. Revela limite.
    E, sobretudo, revela que o país poderá entrar em 2026 não como uma democracia madura em debate, mas como uma nação empurrada para um confronto artificial — útil apenas a quem depende do conflito para continuar no poder.

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    Fábio Roberto de Souza é jornalista – 6867/SC, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo.
    instagram: @fabiorobertodesouzas

     

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