A deputada federal Caroline de Toni pretende mudar de partido, mas não de projeto político. A parlamentar está decidida a deixar o PL e se filiar ao Novo para viabilizar sua candidatura ao Senado nas eleições deste ano. Apesar da possível migração, ela assegura que a decisão está condicionada ao apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL) e à pré-candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado.
O Novo já aceitou ocupar a vaga de vice-governador na chapa, destinada ao prefeito de Joinville, Adriano Silva, mas aguarda a filiação de Caroline e defende sua presença também na disputa majoritária.
Segundo a deputada, a única mudança em relação ao cenário anunciado no início do ano — quando Jorginho confirmou a dobradinha com Adriano — seria a legenda pela qual ela integraria o projeto. Na prática, a alteração seria apenas partidária, não política.
Caroline busca protagonismo em uma sigla menor, mas rejeita a interpretação de que isso represente mudança de rumo eleitoral. Nos últimos dias, recebeu sondagens de lideranças nacionais do PSD, do Podemos e do próprio PL, porém concluiu que teria maior segurança quanto à confirmação de sua pré-candidatura ao Senado dentro de um projeto do Novo alinhado a Jorginho Mello.
A interlocutores, tem pedido confiança em sua palavra e respeito à decisão. Um dos fundamentos dessa escolha é o fato de a direção nacional do Novo não descartar a possibilidade de candidatura avulsa ao Senado, mesmo com Jorginho apoiando simultaneamente Carlos Bolsonaro (PL) e Esperidião Amin (Progressistas) para a mesma vaga.
A estratégia é incomum e depende da concordância de todo o bloco partidário que sustenta a reeleição do governador, sobretudo dos demais postulantes ao Senado. Desde 2017, o Tribunal Superior Eleitoral mantém entendimento que admite candidaturas avulsas ao Senado, desde que cumpridas determinadas condições.
Em 2022, o então governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), utilizou esse mecanismo para contar com o apoio de três candidatos ao Senado, mesmo havendo apenas uma vaga em disputa. Para isso, não formalizou coligação para a eleição senatorial, registrando apenas a chapa de governador e vice. Assim, os 11 partidos de sua coligação ficaram livres para lançar candidaturas próprias ao Senado.
Na ocasião, Sérgio Moro (União) foi eleito com 33,5% dos votos, superando Paulo Martins (PL), que obteve 29,12%. Ambos integravam a base de apoio de Ratinho. O MDB, também aliado, lançou Orlando Pessuti, que alcançou pouco mais de 1% dos votos.
O principal obstáculo dessa fórmula é a necessidade de que todos os candidatos ao Senado aceitem disputar apenas com a estrutura partidária própria, sem compartilhamento de tempo de propaganda eleitoral, o que tende a ampliar a visibilidade dos adversários.