O pai da jovem que afirma ter sido vítima de assédio sexual por parte do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relatou o episódio em um grupo de WhatsApp compartilhado apenas pelos dois casais envolvidos.
As famílias mantêm amizade de longa data e costumavam viajar juntas. Em janeiro deste ano, estiveram hospedadas na residência do ministro, nas proximidades da Praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú (SC).
Segundo depoimento prestado pela vítima à Polícia Civil de São Paulo e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no segundo dia da viagem o ministro teria convidado a jovem, de 18 anos, para entrar no mar. Durante o banho, ela relata que ele teria tocado suas nádegas e que houve contato físico íntimo em mais de um momento.
A defesa do ministro nega as acusações e afirma que os fatos serão esclarecidos oportunamente. Após a denúncia, apresentada em 5 de fevereiro, Buzzi entregou atestado médico e se afastou das funções no STJ por dez dias.
De acordo com o relato, a jovem retornou à casa onde estavam hospedados e procurou o pai, que não havia ido à praia por compromissos profissionais. Inicialmente sem poder atendê-la, ele a ouviu após insistência, momento em que a filha começou a chorar e descreveu o ocorrido.
O pai então conversou reservadamente com a esposa, e o casal decidiu deixar o local alegando que a mãe dele havia sofrido uma queda em Curitiba (PR). Em depoimento à polícia, afirmou que não conseguiu falar diretamente com o ministro por estar “extremamente nervoso”, inclusive com mal-estar físico.
Já fora da residência, ele enviou mensagem detalhando o caso no grupo de WhatsApp composto apenas pelos dois casais. Após o envio, recebeu três ligações consecutivas de números fixos, que não foram atendidas.
A jovem declarou às autoridades que tinha grande confiança no ministro, a quem considerava uma espécie de “avô e confidente”. Segundo ela, costumava ouvir seus conselhos, inclusive profissionais, e teria sido influenciada por ele a cursar Direito.
Ainda conforme o depoimento, no dia anterior ao episódio o ministro teria questionado sua orientação afetiva. Após a conversa, e já depois do suposto assédio, ele teria afirmado que a jovem era “muito sincera” e que deveria moderar essa característica para não se prejudicar.
Em nota, os advogados do ministro classificaram o vazamento de informações como tentativa de julgamento antecipado e pediram respeito ao devido processo legal. A defesa afirmou aguardar o momento adequado para apresentar esclarecimentos e provas.