A aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 49/2025 pela Câmara de Vereadores de Brusque, realizada no apagar das luzes do ano passado, ganha contornos ainda mais preocupantes quando se observa quem sustentou politicamente a medida e como ela foi conduzida até sua entrada em vigor em 1º de janeiro de 2026.
Toda a base de apoio do prefeito André Vechi votou favoravelmente ao projeto, sem resistência, sem debate público relevante e, sobretudo, sem a devida transparência que um tema dessa magnitude exige. Após a aprovação unânime no Legislativo, o texto foi sancionado pelo chefe do Executivo municipal, consolidando uma decisão que amplia progressões salariais, eleva o teto remuneratório da Câmara e impõe impacto milionário aos cofres públicos.
O episódio evidencia mais do que uma simples mudança administrativa. Revela uma postura política marcada pelo silêncio institucional e pela ausência de publicidade efetiva. A população brusquense não foi informada de forma clara sobre o alcance financeiro da medida, tampouco convidada ao debate. O tema só veio à tona graças à atuação da imprensa independente, que expôs os detalhes de uma reestruturação capaz de ampliar significativamente os gastos públicos nos próximos anos.
Na prática, a nova legislação cria uma carreira com progressões anuais de 6% ao longo de 18 níveis, permitindo que salários atinjam valores muito superiores à realidade do serviço público municipal, especialmente considerando a jornada de apenas 30 horas semanais.
Os números projetados chamam atenção:
Mesmo não sendo salários iniciais, mas valores de topo de carreira, a estrutura evidencia um padrão remuneratório extremamente elevado quando comparado ao restante da administração pública municipal e à própria realidade econômica da cidade.
O ponto central da crítica, porém, não se limita aos números. Recai sobre a responsabilidade política. A base governista aprovou sem questionamentos. O prefeito sancionou sem promover amplo esclarecimento público. E a sociedade permaneceu à margem de uma decisão que será paga diretamente com recursos provenientes dos impostos municipais — especialmente IPTU e ISS — que sustentam toda a máquina pública.
Quando medidas com impacto milionário avançam sem transparência, o problema deixa de ser apenas financeiro e passa a ser institucional. Fragiliza-se a confiança do cidadão, amplia-se a sensação de distanciamento entre representantes e representados e reforça-se a percepção de que decisões sensíveis são tomadas longe do olhar público.
Diante desse cenário, resta uma pergunta inevitável:
O cidadão brusquense considera justo que recursos oriundos do seu trabalho e dos tributos que paga — em especial IPTU e ISS — sustentem uma estrutura pública cada vez mais cara, com salários que podem chegar a mais de R$ 40 mil para jornadas de 30 horas semanais?
A resposta, desta vez, não está no plenário da Câmara nem no gabinete do Executivo. Está nas mãos da própria população.