Cúmplices ou metidos em outras bandidagens, membros do STF desconfiam de que Toffoli gravou reunião fechada

    13/02/2026 17h56 - Atualizado há 2 semanas

    Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a desconfiar de que teriam sido gravados pelo colega Dias Toffoli durante uma reunião reservada realizada na Corte, na noite de quinta-feira (12). A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo portal Metrópoles.

    O encontro, que reuniu os dez ministros na sede do Supremo, teve como pauta a condução de Toffoli no inquérito envolvendo o Banco Master. Ao término da reunião, os magistrados divulgaram nota oficial informando que o ministro decidiu deixar a relatoria do caso.

    A suspeita de gravação surgiu após a divulgação, pela imprensa, de reportagens com relatos considerados precisos sobre falas ocorridas durante a reunião, que tinha caráter sigiloso.

    Procuradas, as assessorias de imprensa do ministro Dias Toffoli e do próprio STF não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.

    Saída da relatoria

    Dias Toffoli anunciou, ainda na noite de quinta-feira (12), sua saída da relatoria do caso Master no Supremo. A decisão ocorreu após reunião com os demais ministros para análise de relatório da Polícia Federal (PF).

    O documento cita mensagens encontradas em aparelhos de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, nas quais há menções ao ministro. O material, de caráter sigiloso, também faz referência a negociações envolvendo um resort no Paraná, o Tayayá.

    Toffoli reconheceu participação societária no empreendimento, mas negou qualquer relação com Vorcaro ou familiares. Em nota assinada pelos dez ministros, o STF informou que, “considerados os altos interesses institucionais”, foi acolhida a comunicação do magistrado para deixar a condução do processo.

    A presidência da Corte também adotou providências processuais para extinguir a arguição de suspeição instaurada após o envio do relatório policial.

    Reunião tensa

    A reunião que culminou na saída de Toffoli foi marcada por tensão e se estendeu por cerca de três horas. Os ministros discutiram a alternativa mais adequada diante do desgaste provocado pelo conteúdo extraído do celular de Vorcaro.

    O encontro, iniciado por volta das 16h40 na sala da presidência, contou com a apresentação do relatório da PF pelo presidente da Corte, que também abordou a Arguição de Suspeição nº 244, aberta para apurar os fatos.

    Segundo relato publicado pela coluna de Manoela Alcântara, no Metrópoles, Toffoli resistiu inicialmente a deixar a relatoria. O ministro sustentou sua imparcialidade e afirmou não manter relação de amizade com o empresário. Diante da avaliação dos colegas sobre o impacto institucional do caso, acabou prevalecendo a solução de uma saída voluntária, acompanhada da retirada da arguição de suspeição.


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