Em meio a um dos episódios mais delicados e sensíveis do Supremo Tribunal Federal nos últimos tempos, o ministro André Mendonça demonstrou firmeza institucional e compromisso inequívoco com a transparência ao assumir a relatoria do caso Master.
Ao autorizar diligências amplas da Polícia Federal — inclusive garantindo autonomia para a perícia dos mais de 100 dispositivos eletrônicos já apreendidos — Mendonça reafirmou um princípio essencial do Estado de Direito: a investigação técnica deve ser conduzida por quem tem competência constitucional para fazê-lo, sem amarras ou restrições que comprometam a apuração dos fatos.
A decisão atendeu à reivindicação da própria Polícia Federal, que buscava maior protagonismo nas investigações após limitações impostas na fase anterior da relatoria. Ao reconhecer a urgência apontada pelo Instituto Nacional de Criminalística e pela Procuradoria-Geral da República quanto à preservação de provas sensíveis, o ministro demonstrou equilíbrio entre rigor técnico e responsabilidade institucional.
Mais do que uma decisão processual, o ato simboliza um posicionamento claro: a Justiça não pode se afastar da transparência nem da autonomia dos órgãos de investigação, sobretudo quando o caso envolve repercussão nacional e questionamentos relevantes.
Mendonça também manteve critérios objetivos de sigilo, preservando o necessário resguardo das informações sem transformar o processo em uma caixa-preta inacessível. Ao permitir diligências ordinárias, oitivas e perícias com compartimentação adequada, ele fortaleceu a credibilidade do procedimento investigativo.
A assunção da relatoria ocorreu após a saída do ministro Dias Toffoli, em meio a uma crise institucional que exigia serenidade e responsabilidade. Ao invés de ceder a pressões ou recuar diante do ambiente sensível, Mendonça optou por reforçar a atuação técnica da Polícia Federal, gesto que sinaliza respeito às instituições e maturidade democrática.
Num momento em que o país acompanha atentamente os desdobramentos do caso, a postura do ministro reafirma que a solidez das instituições depende de decisões pautadas na legalidade, na independência funcional e na confiança no trabalho das autoridades competentes.
A autonomia garantida à Polícia Federal e a preservação transparente das provas são, acima de tudo, um recado claro: a Justiça deve ser conduzida com serenidade, responsabilidade e coragem institucional.