A CPI do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira (25) a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt Participações, que tem como sócio o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. O colegiado também determinou a convocação dos irmãos do magistrado, José Carlos Dias Toffoli Cônego e José Eugênio Dias Toffoli.
A decisão ocorre poucas semanas após Toffoli deixar a relatoria das investigações envolvendo supostas fraudes no Banco Master no âmbito do STF. O ministro admitiu participação societária na Maridt, empresa da família que realizou operações financeiras com fundo administrado por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Além dos familiares de Toffoli, a CPI aprovou a convocação de Daniel Vorcaro e de ex-executivos do Banco Master. Também foi autorizada a quebra de sigilo do próprio banco e da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (antiga Reag Trust).
O requerimento foi apresentado pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ele solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) o envio de dados financeiros da Maridt no período entre 1º de janeiro de 2022 e 8 de fevereiro de 2026.
Segundo o parlamentar, a medida busca apurar eventual conflito de interesses no caso envolvendo o Banco Master. No requerimento, Vieira argumenta que os fatos indicariam possível comprometimento institucional e ressaltou que a quebra de sigilo seria necessária para garantir transparência e moralidade pública.
Convocados pela CPI:
Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Banco Master
Daniel Vorcaro, antigo controlador do banco
Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-superintendente executivo de Tesouraria
Luiz Antônio Bull, ex-diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia
Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do banco
José Carlos Dias Toffoli Cônego
José Eugênio Dias Toffoli
Convites aprovados
A comissão também aprovou convite à advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, para prestar esclarecimentos sobre contrato de prestação de serviços advocatícios com o Banco Master. Inicialmente discutiu-se a convocação formal, mas, após orientação da advocacia do Senado, a medida foi convertida em convite, o que torna o comparecimento facultativo.
Também foram convidados os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Autoridades convidadas:
Dias Toffoli, ministro do STF
Alexandre de Moraes, ministro do STF
Viviane Barci de Moraes, advogada
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil
General Tomás Miguel Ribeiro Paiva, comandante do Exército
Danilo Lovisaro do Nascimento, procurador-geral do MP do Acre
Carlos Rocha Sanches, superintendente regional da Polícia Federal no Acre
Delegado Uirá Ferreira do Nascimento, diretor-geral da Polícia Civil do RJ
Tenente-Coronel Marcelo de Castro Corbage, comandante do BOPE
Lucas de Morais Gualtieri, procurador federal
Christian Vianna de Azevedo, oficial da Polícia Federal
Alberto Simonetti, presidente da OAB-DF
Isabella Buium, especialista em compliance e criptoativos
Loretta Napoleoni, especialista em financiamento ao terrorismo
Emanuele Ottolenghi, especialista em ameaças híbridas
Armando Antão Cortez, chefe do Secretariado para Análise Integral do Terrorismo Internacional (Argentina)
Resort no Paraná
O relator mencionou indícios de ligação entre familiares de Toffoli e a antiga Reag Trust por meio de participações no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Segundo Vieira, a intermediação de negócios envolvendo o fundo Arleen — administrado pela CBSF — insere o caso no escopo da CPI.
Ele citou ainda que a Reag Trust foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investigou supostas relações de lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com informações mencionadas na comissão, o fundo Arleen teria como único cotista o cunhado de Daniel Vorcaro.
Também foi apontada a existência de estrutura de cassino no resort, com mesas de blackjack e apostas em dinheiro.
Lista ampliada
Além dos nomes já mencionados, a CPI aprovou convites ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; ao ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa; ao comandante do Exército, general Tomás Paiva; e a especialistas em combate ao financiamento ilícito.
A oitiva do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como “TH Joias”, foi adiada. Segundo o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), o STF não autorizou o deslocamento do detido em tempo hábil.