CPMI do INSS aprova quebra de sigilos fiscal e bancário de Lulinha

    26/02/2026 13h04 - Atualizado há 2 semanas

    A CPMI do INSS escancarou, nesta quinta-feira (26), mais um capítulo daquilo que muitos brasileiros já perceberam há tempos: quando as investigações começam a se aproximar do núcleo do poder, instala-se o desespero — e a tentativa explícita de blindagem.

    A comissão aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no período de janeiro de 2022 a janeiro de 2026. O requerimento, apresentado pelo relator deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), foi aprovado apesar da resistência feroz da base governista.

    E o que aconteceu após a derrota? Parlamentares alinhados ao governo partiram para o tumulto físico e verbal dentro da comissão. Gritos, empurra-empurra, agressão admitida e pedido de desculpas público. Um espetáculo deprimente para quem deveria defender instituições e zelar pela transparência.

    Quando a investigação alcança aliados, a reação não é cooperar com a apuração — é criar confusão.

    Segundo revelações divulgadas pela imprensa, há depoimento encaminhado à CPMI indicando que Lulinha teria recebido pagamentos milionários de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O relato partiu de ex-funcionário do empresário e foi entregue à Polícia Federal. Além disso, ex-dirigentes do instituto estariam preparando delação premiada para detalhar o suposto esquema de descontos indevidos que sangraram aposentados e pensionistas.

    É importante destacar: a defesa de Lulinha nega qualquer envolvimento e afirma que ele não recebeu valores ilícitos. A investigação está em curso e caberá às autoridades comprovar ou afastar as acusações.

    Mas o ponto central é outro.

    O que chama atenção não é apenas o teor das denúncias — é a postura de setores governistas diante da apuração. Em vez de defender investigação ampla e transparente, preferem desqualificar, tumultuar e tentar desacreditar a própria comissão.

    Blindar aliados sob suspeita é a pior mensagem que um governo pode enviar ao país.

    Quando aposentados são vítimas de descontos indevidos, quando há suspeitas de repasses milionários, quando a Polícia Federal investiga, a resposta esperada de quem governa deveria ser simples: “Investiguem tudo. Quem errou, pague.”

    No entanto, a reação vista na CPMI foi a de quem teme a verdade.

    O Brasil não precisa de governo que proteja amigos poderosos. Precisa de instituições que funcionem, de investigações que avancem e de parlamentares que não confundam defesa política com obstrução da Justiça.

    Se nada há a esconder, que se abram os sigilos.
    Se tudo for mentira, que se prove.
    Mas tentar impedir que se investigue é, por si só, um sintoma preocupante.

    A sociedade brasileira já viu esse roteiro antes — e sabe muito bem quem sempre paga a conta.


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