CPMI do INSS: deputado do PT admite soco em colega e pede desculpas

    26/02/2026 13h15 - Atualizado há 2 semanas

    A cena ocorrida nesta quinta-feira (26) na CPMI que investiga as fraudes no INSS expôs, mais uma vez, o grau de desespero da bancada governista diante do avanço das investigações.

    Após a aprovação da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, instalou-se o tumulto. Em meio ao empurra-empurra, o deputado Rogério Correia (PT-MG) admitiu ter desferido um soco contra o deputado Luiz Lima (Novo-RJ).

    A justificativa apresentada pelo parlamentar petista foi a de que teria reagido após ser empurrado e cair no chão. “Eu realmente atingi o deputado, não vou mentir aqui”, afirmou, tentando suavizar o episódio com um pedido de desculpas. O problema não é apenas o gesto físico — já grave por si só —, mas o contexto político que o envolve.

    A confusão ocorreu logo após a CPMI aprovar medidas que atingem diretamente o filho do chefe do Executivo. Em vez de aceitarem o resultado da votação, governistas partiram para a mesa da presidência, gritos e tentativa de intimidação. A sessão precisou ser suspensa.

    O episódio revela algo mais profundo: quando o regime se vê confrontado com investigações que alcançam seus próprios círculos, a reação deixa de ser institucional e passa a ser emocional, agressiva e descontrolada. A quebra de sigilo é instrumento legal de apuração. Quem não deve, não teme. Mas a reação desproporcional sugere que o incômodo vai além do debate político.

    O deputado Paulo Pimenta anunciou que pretende recorrer ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, para tentar anular a medida aprovada. Ou seja: ao invés de permitir que a investigação siga seu curso, a estratégia passa a ser barrá-la por manobras políticas.

    O Brasil assistiu, novamente, a uma demonstração de que parte da bancada governista não sabe conviver com a transparência quando ela atinge os seus. A violência física dentro de uma comissão parlamentar não é apenas um ato isolado — é sintoma de um grupo que, acostumado a blindagens institucionais, reage com fúria quando o cerco se aproxima.

    Se há inocência, que se prove. Mas socos, gritos e tentativas de anulação não fortalecem narrativas de lisura. Pelo contrário: reforçam a percepção de que, quando o assunto é investigação envolvendo aliados do poder, vale tudo — até transformar o Parlamento em ringue.


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