Antes mesmo de a CPMI do INSS aprovar, nesta quinta-feira (26), a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, a Polícia Federal já havia avançado sobre seus dados bancários, fiscais e telemáticos. Ou seja: o cerco já estava fechado muito antes do espetáculo político em Brasília.
O pedido foi formalizado em janeiro de 2026 e autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A investigação apura um dos esquemas mais perversos já revelados contra aposentados e pensionistas: descontos ilegais aplicados diretamente nos benefícios do INSS, atingindo justamente os mais vulneráveis.
Segundo documentos preliminares, há indícios de que Lulinha possa ter recebido pagamentos mensais na casa de R$ 300 mil. O suposto operador dos repasses seria Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso desde setembro de 2025. Caso confirmadas as suspeitas, estaríamos diante de algo muito mais grave do que mera coincidência financeira: seria a conexão direta entre o poder e um esquema que sangrou aposentados.
A decisão judicial também determinou que provedores preservem e-mails e comunicações eletrônicas do investigado. A medida revela que os indícios não foram tratados como “fofoca”, mas como elementos suficientemente robustos para justificar providências duras.
Enquanto isso, o discurso público tenta administrar o desgaste. O presidente Lula afirmou que, se houver envolvimento, o próprio filho “vai pagar o preço”. A declaração soa firme, mas também levanta questionamentos inevitáveis: se tudo não passa de “vilanias”, como sustenta a defesa, por que a necessidade de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático? Por que a preservação urgente de e-mails?
O país já assistiu a muitos escândalos envolvendo relações perigosas entre empresários, operadores e figuras próximas ao poder. O que revolta não é apenas a suspeita em si, mas a sensação recorrente de que determinados sobrenomes parecem contar com uma blindagem política automática — até que as provas se tornem incontornáveis.
A Polícia Federal segue avançando. E, diante da gravidade das acusações, não há espaço para narrativas emocionais ou discursos de ocasião. Se as suspeitas se confirmarem, o caso deixará de ser apenas um problema familiar do presidente para se tornar mais um capítulo sombrio na relação promíscua entre poder, influência e dinheiro público.
O Brasil precisa de respostas — não de cortinas de fumaça.