A decisão do ministro do STF André Mendonça autorizando a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, caiu como uma bomba no Palácio do Planalto.
Segundo bastidores, ministros e aliados do presidente afirmam que foram pegos de surpresa. A autorização, concedida ainda em janeiro de 2026 no âmbito do inquérito sobre a chamada “Farra do INSS”, atendeu a pedido da Polícia Federal e tramita sob sigilo.
A reação foi imediata: interlocutores do presidente correram para buscar informações na própria PF e, depois, no Supremo. A movimentação expõe algo evidente — quando investigações alcançam o núcleo familiar do poder, o discurso muda, o tom sobe e a estratégia jurídica é reavaliada às pressas.
A quebra de sigilo autorizada pelo STF indica que há investigação formal em curso. Isso, por si só, já desmonta a narrativa de que tudo não passaria de “especulação política”.
Nos bastidores, integrantes do governo admitem que o impacto político poderia ser ainda maior caso a quebra tivesse sido conduzida exclusivamente pela CPMI. A preocupação não é apenas jurídica — é política.
O episódio escancara um ponto sensível: quando investigações se aproximam do entorno presidencial, instala-se tensão institucional. Transparência e apuração rigorosa não podem ser tratadas como afronta política, mas como dever de Estado.