INSS: suspeito de fraudar biometria de aposentados dribla investigação usando iPhone

    03/03/2026 08h03 - Atualizado há 2 dias

    Suspeito de desviar até R$ 1,4 bilhão do INSS por meio de um sofisticado esquema de fraude em biometrias faciais e assinaturas digitais de aposentados, o empresário Igor Dias Delecrode utilizou a própria tecnologia para tentar driblar a investigação da CPMI do INSS no Congresso Nacional.

    Segundo apuração, assim que a comissão aprovou a apreensão do celular, Delecrode acionou deliberadamente os mecanismos de segurança do próprio iPhone, diante dos parlamentares, que sequer perceberam a manobra. O aparelho foi entregue às autoridades já inutilizado para fins de perícia.

    Relatório da Polícia Federal aponta que o empresário desligou e reiniciou o telefone, colocando o dispositivo no modo conhecido como “Antes do Primeiro Desbloqueio”. Nesse estado, todas as chaves de criptografia são removidas da memória, tornando impossível o acesso a mensagens, arquivos e registros sem a senha do usuário. Apelidado por investigadores de “gênio do mal”, ele também se recusou a informar o código de desbloqueio.

    Imagens da sessão mostram que, logo após a ordem de apreensão, Delecrode pressionou os botões laterais do aparelho e deslizou o dedo na tela — procedimento utilizado para desligar os modelos mais recentes de iPhone. Minutos depois, o sistema registrou a reinicialização do dispositivo.

    O laudo indica que o iPhone 17 Pro Max foi reiniciado por volta das 19h37 do dia 10 de novembro de 2025, passando automaticamente ao modo de proteção máxima, que impede qualquer tentativa de extração de dados sem autenticação.

    Para os peritos, há plena coerência entre as imagens da sessão, os registros internos do aparelho e o bloqueio identificado na análise técnica. A conclusão é que o próprio usuário realizou o procedimento com o claro objetivo de proteger as informações armazenadas.

    O episódio expõe uma contradição amarga: quando o esquema é para fraudar aposentados e sangrar o sistema do INSS, a tecnologia parece funcionar perfeitamente. Mas quando se trata de proteger o cidadão comum ou garantir acesso a direitos, o que se vê é lentidão, burocracia e sofrimento.

    Investigadores agora buscam dados armazenados em nuvem, além da quebra de sigilo telefônico junto à operadora Claro e a análise de um número internacional identificado na perícia, na tentativa de reconstruir as provas bloqueadas pelo próprio suspeito.

    A Polícia também apura possível conluio com entidades como a Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (Aasap), Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, Andapp e AAPEN.

    Enquanto isso, mesmo diante de suspeitas bilionárias envolvendo recursos destinados a aposentados brasileiros, o principal investigado segue em liberdade.


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