A possível ida do delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor para atuar diretamente no gabinete do Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal, caiu como gasolina no já inflamado debate político nacional.
Shor tornou-se figura central em investigações conduzidas pela Polícia Federal contra políticos, empresários e militantes ligados à direita, especialmente nos inquéritos relacionados aos atos de 8 de janeiro. Entre críticos dessas apurações, o delegado passou a ser visto como um dos nomes mais associados à linha dura adotada contra opositores do atual establishment político e judicial.
Agora, com a possibilidade de ser deslocado diretamente para trabalhar no gabinete do próprio Moraes, responsável por relatar grande parte desses processos no STF, a movimentação está sendo interpretada por adversários do governo como mais um passo na crescente fusão entre investigação policial e decisões judiciais em casos politicamente sensíveis.
Críticas sobre perseguição política
Parlamentares da oposição afirmam que as investigações do 8 de janeiro foram conduzidas com peso máximo contra figuras de direita, enquanto episódios semelhantes envolvendo grupos de esquerda jamais teriam recebido o mesmo tratamento.
Nesse contexto, o nome de Shor frequentemente aparece em discursos políticos como símbolo de uma suposta estratégia institucional voltada a criminalizar adversários ideológicos.
Defensores das investigações rejeitam essa narrativa e sustentam que a Polícia Federal apenas cumpriu seu papel diante de um episódio considerado grave contra as instituições.
Proximidade entre investigação e julgamento
A eventual presença de um delegado responsável por investigações dentro do gabinete do Moraes, que julga os mesmos casos, levanta questionamentos sobre os limites entre investigação, acusação e julgamento.
Críticos afirmam que a situação reforça a percepção de que determinados inquéritos passaram a operar dentro de um circuito fechado entre Polícia Federal, Ministério Público e Supremo — algo que, segundo eles, coloca em risco a confiança pública na imparcialidade das instituições.
Com o país ainda profundamente dividido após os acontecimentos de 8 de janeiro, a possível transferência do delegado promete ampliar ainda mais a tensão entre o STF e setores da oposição.