Editorial publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (7) elevou o tom e cobrou atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) diante de informações que envolvem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
No texto, o jornal afirma que cabe ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, avaliar a eventual abertura de investigação para apurar as relações dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques com o empresário. Segundo o editorial, embora os fatos relatados não configurem automaticamente crimes, o conjunto das informações tornadas públicas justificaria uma apuração formal.
A publicação se baseia em reportagens que apontam, entre outros aspectos, o uso de aeronaves vinculadas a Vorcaro por ministros da Corte e seus familiares, além de relações profissionais com empresas ligadas ao grupo financeiro.
No caso de Alexandre de Moraes, o editorial destaca que ele e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, teriam realizado ao menos oito voos em aeronaves associadas ao empresário. Em nota, a advogada afirmou que os deslocamentos foram pagos por meio de compensação de honorários. O texto também menciona a contratação do escritório ligado à família pelo Banco Master, com valores que, segundo as reportagens, chegam a R$ 129 milhões, além de levantar questionamentos sobre a evolução patrimonial do casal nos últimos anos.
Dias Toffoli também é citado. O editorial menciona registros de viagens em aeronaves ligadas a Vorcaro e a outros empresários, incluindo deslocamentos para o resort Tayayá, empreendimento com o qual o ministro já teve ligação no passado. Para o jornal, situações desse tipo levantam dúvidas sobre a relação entre autoridades públicas e interesses privados.
Já em relação a Nunes Marques, o texto aponta uma viagem de Brasília a Maceió em aeronave associada ao banqueiro. De acordo com informações do gabinete do ministro, o voo teria sido custeado por terceiros, em caráter pessoal. O editorial também menciona relações profissionais envolvendo familiares do magistrado e empresas ligadas a recursos de Vorcaro.
Ao longo do texto, o Estadão sustenta que a ausência de manifestação da Procuradoria-Geral da República até o momento chama atenção. Para o jornal, a falta de iniciativa pode ser interpretada como omissão diante de fatos que, ainda que não comprovem irregularidades por si só, exigiriam esclarecimentos.
O editorial conclui que uma eventual investigação não representaria prejulgamento, mas uma medida necessária para garantir transparência e preservar a credibilidade das instituições, especialmente do Supremo Tribunal Federal.