ANALISE: Por que Moraes resolveu punir Bolsonaro antes do julgamento?

Por Claudio Dantas

    30/08/2025 22h24 - Atualizado há 9 horas

    Alexandre de Moraes decidiu plantar policiais no quintal da casa de Jair Bolsonaro.

    A decisão é o ápice de uma escalada punitiva que começou com a imposição da tornozeleira eletrônica, a proibição de uso de redes sociais; depois a prisão domiciliar com veto expresso a entrevistas e visitas restritas. Os policiais do quintal do ex-presidente também deverão revistar veículos e fichar quem entra ou sai.

    Os argumentos usados pela Polícia Federal para a medida, que visava inserir agentes dentro da residência, não param de pé. Não há um relatório de inteligência demonstrando sequer um plano de fuga. Dizer que há pontos cegos entre muros de casas vizinha e que Bolsonaro poderia fugir, pulando esses muros, escancara o cinismo ao desprezar a idade e seu estado de saúde debilitado.

    Se já não havia razão significativa para a tornozeleira ou minimamente justificável para a domiciliar, a atual alegação parece deboche ou memo desprezo à inteligência alheia. Será apenas raiva por ter perdido seus cartões de crédito e o visto para os EUA? Vingança por saber que os negócios jurídicos de sua mulher também serão prejudicados com a Lei Magnitsky?

    Seria antecipação da pena por duvidar hoje que Bolsonaro permanecerá preso, após condenação? Moraes tem alguma dúvida de que seu réu favorito receberá a punição que lhe parece ideal? Ou ainda mais claro: o ministro teme que seus colegas aliviem para o ex-presidente por medo de serem também alcançados pela Magnitsky, considerando que muitos já sofrem pela perda do visto americano?

    Enquanto muitos avaliam a decisão como puro sadismo ou paranoia, por violar também a privacidade da mulher e da filha de Bolsonaro, eu vejo como um ato final de desespero. A história nos ensina que ditadores, depois de algum tempo no poder, sucumbem à paranoia; e, quando percebem a perda de poder, tomam decisões irracionais.

    A irracionalidade tende a ser diretamente proporcional à perda de poder e ao risco de queda.

    O líbio Muammar Gaddafi ordenou ataques aéreos contra civis quando encurralado, Adolf Hitler executou seus generais alegando traição, assim como Saddam Hussein, que resolveu também lançar armas químicas contra civis. Em seus dias finais, Slobodan Milosevic, o açougueiro dos Balcãs, tentou até um ataque aéreo contra a Otan.

    Noto que, em alguns casos, é difícil dizer se a decisão desesperada foi tomada antes da queda inevitável ou se acabou por precipitá-la.


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