DECEPÇÃO - Jorge Seif foge da CPI do Caso Master: Medo de investigar ou ciúme infantil por não ser o autor da ideia?

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A decisão do senador Jorge Seif de não assinar o requerimento para a criação de uma CPI destinada a investigar os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no escândalo do Banco Master é daquelas atitudes que deixam o eleitor catarinense dividido entre a perplexidade e a indignação.

Enquanto 38 senadores decidiram colocar suas assinaturas em um pedido formal de investigação sobre um dos episódios mais graves já revelados envolvendo a cúpula do Judiciário brasileiro — caso que gira em torno do banqueiro Daniel Vorcaro — o representante de Santa Catarina simplesmente resolveu ficar de fora.

Fora. Ausente. Invisível.

O requerimento foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira e recebeu apoio de nomes de peso como Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, Sergio Moro, Hamilton Mourão, Damares Alves, Marcos Pontes, Magno Malta e Luis Carlos Heinze.

Todos entenderam algo simples: diante de suspeitas gravíssimas envolvendo ministros do Supremo, investigar não é opção — é obrigação.

Menos Jorge Seif.

Em vez de apoiar a investigação, o senador preferiu desdenhar da iniciativa, afirmando que “bater no STF é pop” e que a CPI serviria apenas para dar palanque político ao autor da proposta.

A declaração é tão frágil quanto reveladora.

Primeiro porque ninguém está “batendo” em ninguém. O que se pede é investigação — algo absolutamente básico em qualquer democracia minimamente saudável.

Segundo porque a fala do senador levanta uma pergunta inevitável e extremamente incômoda: o que exatamente explica esse súbito espírito conciliador de Jorge Seif quando o assunto é investigar ministros do Supremo?

Seria convicção?

Ou seria algo muito mais constrangedor?

Há quem comece a perguntar se essa postura não seria uma espécie de “pagamento político” pela própria sobrevivência parlamentar. Afinal, não custa lembrar que Seif já enfrentou um processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral. Em Brasília, todos sabem que certas prudências aparecem justamente quando alguns políticos percebem que dependem de decisões judiciais para continuar ocupando suas cadeiras.

Mas existe ainda outra hipótese — igualmente deprimente.

Ciúme.

Simplesmente porque a proposta não é dele.

A impressão que fica é a de um comportamento típico de política pequena: se não fui eu que tive a ideia, então vou desqualificar a iniciativa. Um tipo de reação infantil que lembra mais disputa de recreio do que responsabilidade de senador da República.

E o problema é que essa não é a primeira vez que o mandato de Jorge Seif gera frustração.

Desde que chegou ao Senado, o parlamentar tem acumulado episódios que reforçam a percepção de improviso, despreparo e uma assustadora falta de densidade política. Discursos vazios, posições erráticas e uma atuação que frequentemente parece guiada mais por impulsos do que por estratégia ou convicção.

Santa Catarina acreditou que teria um senador combativo, firme e disposto a enfrentar abusos de poder.

Mas quando surge uma investigação que pode atingir diretamente o coração de um escândalo envolvendo bilhões de reais e possíveis relações obscuras entre banqueiros e ministros do Supremo, Jorge Seif prefere ironizar a CPI e ficar sentado na arquibancada.

Enquanto 38 senadores decidiram investigar, o representante catarinense decidiu fazer algo muito mais fácil: reclamar de quem está tentando investigar.

E assim, mais uma vez, o estado que o elegeu assiste perplexo a um espetáculo constrangedor de pequenez política.

Senadores que assinaram o pedido de CPI

Senador Alessandro Vieira (MDB/SE)
Senador Astronauta Marcos Pontes (PL/SP)
Senador Eduardo Girão (NOVO/CE)
Senador Magno Malta (PL/ES)
Senador Luis Carlos Heinze (PP/RS)
Senador Sergio Moro (UNIÃO/PR)
Senador Esperidião Amin (PP/SC)
Senador Carlos Portinho (PL/RJ)
Senador Styvenson Valentim (PSDB/RN)
Senador Marcio Bittar (PL/AC)
Senador Plínio Valério (PSDB/AM)
Senador Jaime Bagattoli (PL/RO)
Senador Oriovisto Guimarães (PSDB/PR)
Senadora Damares Alves (REPUBLICANOS/DF)
Senador Cleitinho (REPUBLICANOS/MG)
Senador Hamilton Mourão (REPUBLICANOS/RS)
Senador Vanderlan Cardoso (PSD/GO)
Senador Jorge Kajuru (PSB/GO)
Senadora Margareth Buzetti (PP/MT)
Senador Alan Rick (REPUBLICANOS/AC)
Senador Wilder Morais (PL/GO)
Senador Izalci Lucas (PL/DF)
Senadora Mara Gabrilli (PSD/SP)
Senador Marcos do Val (PODEMOS/ES)
Senador Rogerio Marinho (PL/RN)
Senador Flávio Arns (PSB/PR)
Senador Laércio Oliveira (PP/SE)
Senador Dr. Hiran (PP/RR)
Senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ)
Senador Nelsinho Trad (PSD/MS)
Senador Marcos Rogério (PL/RO)
Senador Wellington Fagundes (PL/MT)
Senador Carlos Viana (PODEMOS/MG)
Senador Efraim Filho (UNIÃO/PB)
Senadora Tereza Cristina (PP/MS)
Senador Jayme Campos (UNIÃO/MT)
Senador Zequinha Marinho (PODEMOS/PA)
Senador Fernando Dueire (MDB/PE)


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