AFUNDOU DE VEZ: Zanin é sorteado novo relator de pedido por CPI do Master na Câmara

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Após o ministro Dias Toffoli declarar suspeição para relatar o mandado de segurança que pede a instalação de uma CPI destinada a investigar a relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), o processo acabou nas mãos de ninguém menos que Cristiano Zanin — ex-advogado pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva e hoje ministro da própria Corte.

O episódio, por si só, já evidencia o grau de degradação institucional ao qual o país foi submetido. Afinal, é difícil acreditar que alguém realmente espere uma investigação profunda quando o caso cai exatamente nas mãos de um ministro cuja trajetória recente está diretamente ligada ao grupo político que hoje domina o poder em Brasília.

A CPI solicitada no Congresso pretende investigar a relação entre o Banco Master e o BRB, tema que ganhou enorme repercussão após o surgimento de mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e ministros da Suprema Corte. O próprio Toffoli apareceu citado nas conversas e, diante da repercussão devastadora, optou por declarar suspeição “por motivo de foro íntimo”.

Mas a saída de Toffoli está longe de representar qualquer avanço na transparência. O processo simplesmente mudou de mãos dentro do mesmo ambiente fechado que, cada vez mais, se assemelha a um círculo de autoproteção institucional.

Agora, com Zanin como relator, cresce a percepção de que a investigação dificilmente avançará. O ministro foi o principal advogado de Lula nos processos da Operação Lava Jato e chegou ao Supremo por indicação direta do atual presidente. Esperar que ele conduza com independência um caso que pode atingir figuras centrais do sistema político que o levou à Corte é, no mínimo, ingenuidade.

O pedido de CPI argumenta que houve “omissão inconstitucional” do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao não instalar a comissão mesmo após o requerimento reunir assinaturas suficientes.

Segundo a peça apresentada ao STF, a demora em permitir a investigação pode provocar danos graves ao sistema financeiro e comprometer a confiança pública nas instituições. No entanto, diante da sequência de fatos recentes, cresce a desconfiança de que o sistema político e judicial brasileiro esteja mais preocupado em conter investigações do que em esclarecer os fatos.

A suspeição de Toffoli, o sorteio que coloca Zanin na relatoria e o histórico de relações que cercam o chamado “Caso Master” reforçam a sensação de que o país vive um momento de profunda deterioração institucional.

Para muitos observadores, o problema já não é apenas jurídico ou político — é estrutural. Cada novo episódio parece confirmar a impressão de que se consolidou no topo do poder uma engrenagem de proteção mútua, na qual investigações sensíveis simplesmente não avançam.

Enquanto isso, a população assiste, perplexa, a um cenário em que as instituições que deveriam garantir transparência e fiscalização passam a ser vistas, cada vez mais, como parte do próprio problema.


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