Anunciado nesta segunda-feira como pré-candidato do Partido Social Democrático (PSD) à Presidência da República, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que pretende conceder anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) caso seja eleito. Segundo ele, uma anistia “ampla, geral e irrestrita” seria seu primeiro ato de governo.
Durante o discurso de lançamento da pré-candidatura, Caiado declarou que a medida teria como objetivo promover a pacificação nacional.
“Eu vim com esse objetivo, de realmente pacificar o Brasil. Ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente, estarei dando uma demonstração de que, a partir dali, vou cuidar das pessoas”, afirmou.
O governador ressaltou que essa posição não é recente. Em maio do ano passado, ele já havia defendido publicamente que a anistia a Bolsonaro seria sua primeira decisão administrativa caso chegasse ao Palácio do Planalto.
Recém-filiado ao PSD, Caiado foi escolhido pelo partido para disputar a Presidência após uma disputa interna com outros nomes da sigla, como os governadores Eduardo Leite e Ratinho Júnior, que acabaram desistindo da corrida ao Executivo federal.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a escolha de Caiado foi estratégica e baseada em critérios eleitorais.
Segundo ele, o governador goiano apresenta maior potencial competitivo para alcançar o segundo turno das eleições.
“Ele tem mais chances de chegar ao segundo turno. E, chegando ao segundo turno — o que é essencial para vencer a eleição — acreditamos que terá condições de conquistar a vitória”, declarou Kassab.
O dirigente partidário também avaliou que o cenário político brasileiro abre espaço para uma alternativa fora da polarização entre petistas e bolsonaristas.
“Nos últimos governos, tanto a família Bolsonaro quanto os petistas tiveram suas oportunidades. Queremos alguém que ainda não teve essa chance e que demonstrou sucesso nas missões que desempenhou ao longo da carreira”, acrescentou.
Durante a coletiva, Caiado apresentou um resumo de sua trajetória política e destacou a criação da União Democrática Ruralista (UDR), fundada em 1985 em defesa do direito de propriedade rural e da livre iniciativa.
A organização, ao longo dos anos, ficou associada a tensões e conflitos agrários e chegou a ser alvo de investigações sobre suposto financiamento de grupos armados em disputas no campo, especialmente em períodos de forte embate com movimentos ligados à reforma agrária.
“Quero dizer que venho da política há muitos anos. Quando foi criado o MST, eu criei a UDR na defesa do direito de propriedade, da livre iniciativa e da economia de mercado. O Brasil demonstrou, ao longo dos anos, que estávamos certos ao defender um setor que hoje é um dos mais competitivos da economia nacional”, declarou.
Candidato à Presidência em 1989, eleição vencida por Fernando Collor de Mello no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva, Caiado também comentou sobre o atual cenário político e a polarização ideológica no país.
Segundo ele, a polarização não é uma característica inevitável da política brasileira, mas resultado de estratégias políticas.
“A polarização é sustentada por um projeto político, por aqueles que se beneficiam dela. Pode ser desativada? Sim, pode. Por alguém que não faça parte dela — e é isso que pretendo fazer chegando à Presidência”, concluiu.