Como sempre falo, Política no Brasil é é só conhecimento ou reconhecimento público.No final das contas, é muito mais matemática eeitoral do que a expressão natural de que são "os melhores que chegam".
A discussão sobre a possibilidade de Brusque voltar a ter representação própria na Assembleia Legislativa de Santa Catarina
ganha mais precisão quando se observa não apenas a eleição estadual, mas também o comportamento do eleitorado na disputa federal.
Isso porque o padrão de votação para deputado federal revela a força estrutural dos partidos, o nível de mobilização eleitoral e a tendência de concentração de votos — fatores que se repetem nas eleições estaduais.
E os números de 2022 deixam isso muito claro.
O dado estrutural novo: como Santa Catarina votou para deputado federal
Na eleição para a Câmara dos Deputados, Santa Catarina elegeu: 16 deputados federais
Distribuição por partido (2022)
Esse resultado mostra um padrão que se repete em todas as eleições: poucos partidos concentram a maioria das vagas Esse comportamento é estrutural no sistema proporcional.
O que a eleição federal revela sobre a eleição estadual
O padrão observado na eleição federal se repete quase exatamente na disputa para deputado estadual.
Na eleição para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina foram eleitos: 40 deputados estaduais
E novamente: poucos partidos dominaram as vagas
Especialmente:
Isso confirma um ponto central: partidos grandes elegem deputados — partidos médios e pequenos disputam sobrevivência
O cenário político projetado para a próxima eleição
O ambiente eleitoral que se forma é um dos mais competitivos dos últimos anos.
Isso ocorre porque haverá força política simultânea em todos os níveis da disputa.
Força nas chapas estaduais
O cenário indica candidaturas competitivas:
Isso aumenta o volume de votos partidários.
Mas também aumenta a concorrência interna.
O fator adicional: disputa presidencial forte
Outro elemento que eleva o nível de exigência da eleição é a presença de candidaturas competitivas à Presidência da República.
O cenário projetado indica candidaturas fortes:
Esse tipo de disputa gera:
E isso eleva o patamar mínimo necessário para se eleger deputado.
BRUSQUE - O tamanho eleitoral da potencialmente região
Considerando:
Eleitores estimados
Cerca de 160 mil eleitores
Votos válidos estimados
Cerca de 125 mil a 130 mil votos
Esse é o limite natural da força eleitoral regional.
O custo real de uma vaga
Nas últimas eleições estaduais: 95 mil a 105 mil votos – ESTE É O COEFICIENTE. A cada 95 mil votos, elegeria um.
Esse número define a competitividade.
Significa:
Mas: não comporta muitos candidatos fortes ao mesmo tempo.
O fator estrutural decisivo: cada partido pode lançar até 40 candidatos
Esse detalhe muda completamente a dinâmica eleitoral.
Na prática:
Por isso, o desafio não é apenas vencer adversários.
É vencer dentro do próprio partido.
Os nomes colocados no cenário regional
Agora, considerando todos os fatores:
Segue a leitura técnica dos nomes.
Nível estimado de competitividade dos pré-candidatos
Paulo Eccel (PT)
Perfil:
Com candidatura forte ao Governo e à Presidência no Partido dos Trabalhadores, o ambiente eleitoral tende a favorecer sua candidatura.
Classificação: competitividade alta
Deco Batisti (PL)
Perfil:
O Partido Liberal deve ter uma das maiores bancadas.
Mas também terá:
Classificação: competitividade média a alta
Pastor Marcus Foppa (Republicanos)
Perfil:
O Republicanos costuma eleger candidatos com votação concentrada.
Classificação: competitividade média
Rick Zanata (Novo)
Perfil:
O Partido Novo tende a crescer em cenários polarizados.
Classificação: competitividade média
Cacá Tavares (Podemos)
Perfil:
O Podemos depende de crescimento regional.
Classificação: competitividade média
Rodrigo Voltolini (PSDB)
Perfil:
O Partido da Social Democracia Brasileira vem reduzindo presença eleitoral.
Classificação: competitividade média à baixa
Santiago César (Missão)
Perfil:
Classificação: competitividade baixa
O cenário mais provável
Considerando todos os fatores integrados:
O cenário estatisticamente mais provável é: A região eleger 1 deputado estadual
Possível, mas difícil: eleger 2
Conclusão geral
A eleição que se aproxima será mais mobilizada, mais ideológica e mais competitiva do que as anteriores.
Mas a matemática eleitoral continua a mesma.
Brusque e sua região têm votos suficientes para eleger um deputado estadual.
O que decide o resultado não é a falta de eleitor.
É a divisão deles.
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Fábio Roberto de Souza é jornalista, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas