Relator do caso Master no STF, Mendonça dá recados e fala em “não privilegiar amigos”.

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Sem mencionar diretamente os processos, Mendonça discursou durante cerimônia em sua homenagem na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O evento contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga no STF.

Em um pronunciamento de mais de 20 minutos, o ministro também enviou recados ao Poder Judiciário, que enfrenta uma crise de credibilidade. Segundo ele, juízes precisam adotar uma postura de maior prudência em suas relações, especialmente quando comparados a políticos, para evitar interpretações equivocadas sobre sua conduta.

“Imparcialidade é olhar para as pessoas de modo igualitário, considerar os interesses envolvidos de forma equânime. É não privilegiar amigos nem perseguir inimigos. Esse é um compromisso que eu assumo. Vejo a imprensa sugerir que, por proximidade religiosa ou histórica, ou por divergências passadas, alguém poderia beneficiar A e prejudicar B. Eu não tenho esse direito. A missão que me foi confiada não me dá esse direito”, afirmou Mendonça.

A declaração ocorre em um momento em que os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, colegas de Corte, estão sob questionamentos em razão de relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O banco firmou contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa de Moraes, e há suspeitas de troca de mensagens entre o magistrado e Vorcaro no dia em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal. Já Toffoli foi sócio de uma empresa que vendeu cotas de um resort no Paraná a um fundo de investimentos ligado ao empresário.

Nos bastidores de Brasília, a expectativa é que uma eventual delação premiada de Vorcaro — cuja homologação caberá a Mendonça no STF — possa atingir os dois ministros do Supremo.

O ministro ressaltou ainda que magistrados precisam preservar a credibilidade da Justiça, evitando comportamentos que possam comprometer a confiança da sociedade.

“Não estamos imunes a incompreensões, mas precisamos estar imunes a ações que comprometam, de forma substancial e consciente, a credibilidade que a sociedade espera de um bom magistrado. Isso exige de nós um grau de recato, no melhor sentido da palavra, e a capacidade de, por vezes, deixar de fazer aquilo que é lícito, porque nem tudo que é permitido nos convém”, declarou.

Homenagem

André Mendonça recebeu o Colar da Honra ao Mérito Legislativo da Alesp, homenagem proposta pelo deputado estadual Oseias de Madureira (PL). A sessão solene reuniu autoridades dos três Poderes em São Paulo, incluindo o governador Tarcísio de Freitas, o presidente da Alesp, André do Prado (PL), e o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desembargador Francisco Eduardo Loureiro.

Relator dos casos Master e das fraudes no INSS, Mendonça está no centro das atenções por conduzir investigações consideradas entre as mais sensíveis do país. Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), suas decisões têm sido exploradas politicamente por diferentes grupos, em um cenário que envolve atores de diversos espectros ideológicos.

Durante a cerimônia, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que as investigações estão em “boas mãos” e que as decisões do ministro deverão ser pautadas pelo rigor e pela justiça.

“A sociedade brasileira, especialmente os mais humildes, que são os que mais sofrem, clama por justiça. Temos a convicção de que esses casos estão nas mãos de alguém que fará valer a lei e a Constituição, com rigor e senso de justiça”, afirmou o prefeito.


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